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segunda-feira, 30 de maio de 2016

ESTUPRO: o nome do crime!

A cada 11 minutos, uma mulher é violentada, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Foto: Internet
A cada 11 minutos, uma mulher é violentada, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Foto: InternetA cada 11 minutos, uma mulher é violentada, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Foto: Internet
Por Laís Ferreira*
Cultura do estupro. É quando a violência sexual é naturalizada, considerada normal dentro de uma sociedade. Exemplos de comportamentos associados à cultura do estupro são a objetificação do corpo da mulher, transformado em objeto sexual; a culpabilização da vítima pela violência sofrida, como quando vinculam o crime ao famoso “mas ela deu mole, pediu pra ser estuprada”; relativizar o abuso, criando um meio termo quando se trata de estupro, algo como “não é pra tanto”; e a banalização da violência de gênero, como o famoso “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”.
24 horas. Inúmeras postagens nas redes sociais versam sobre o estupro coletivo sofrido por uma adolescente de 16 anos, no Rio de Janeiro. A jovem foi violentada por 33 homens, dentre eles o NAMORADO. Se um homem estuprar uma mulher já é horrível, imagina TRINTA E TRÊS HOMENS?! Os criminosos gravaram um vídeo e o compartilharam nas redes sociais, expondo a vítima desacordada, com as partes íntimas descobertas, em completa situação de vulnerabilidade. Também nas últimas horas tomei conhecimento de outro caso de estupro coletivo, em um município do Piauí, em que uma jovem foi violentada por um homem e quatro adolescentes, sendo encontrada dentro de uma obra abandonada, desacordada e amarrada.
Ao comentar algum caso de abuso sexual, agressão física ou qualquer outro tipo de violência de gênero, não é muito difícil ouvir frases como “também, ela fica usando essas roupas curtas, só podia dar nisso”; “ela provocou, foi atrás dele porque quis”, “quem manda ficar na rua até altas horas da noite”, ou “mulher não pode sair sozinha”. Infelizmente, no caso da adolescente do Rio de Janeiro não foi diferente. Diversos foram os questionamentos sobre o que estava fazendo na rua, do porquê ter ido dormir na casa do namorado e se ela estava bêbada. Por que a culpa tem que ser das mulheres?
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que, a cada 11 minutos, UMA MULHER é violentada sexualmente no Brasil. Isso significou cerca de 47,6 mil vítimas de estupro, em 2014. Será que todas essas pessoas (fora as que não denunciaram o crime) pediram para ser violentadas? NÃO! Não existe consentimento para o estupro, não existe pedir para ser violentada, não existe “a culpa é da vítima”, não existe “ela usava roupa curta, então já viu”. A CULPA É DO ESTUPRADOR.
A mesma pesquisa revelou que 66% da população tem medo de ser vítima de agressão sexual. Se você que está lendo esse texto for mulher, tenho certeza que em algum momento da sua vida já passou por episódio de abuso, seja na rua, ao receber uma cantada, no transporte público, quando homens encostaram em você, deixando-a constrangida, ou mesmo em um relacionamento amoroso, quando a outra parte envolvida não soube aceitar um não.
Usar determinada roupa, ir a festas, beber, dançar, decidir sobre a própria vida não dão direito a nenhum homem de tocar nossos corpos e forçar relações sexuais. Sexo sem consentimento é crime! Veicular vídeos e fotos de violência sexual também é crime. Inúmeras foram as pessoas que compartilharam as imagens chocantes da violência contra a menina do Rio de Janeiro, adicionando comentários maldosos e “piadas” com o acontecido.
De tudo isso, precisamos ter duas questões em mente. Primeira: não compartilhe nenhuma imagem de violência sexual. Ao fazer isso, mesmo que por indignação, você está contribuindo para a perpetuação da cultura do estupro. Em lugar de divulgar a violência, denuncie. Ligue para o 180, entre em contato com o Ministério Público, a autoridade competente, a polícia, não se cale.
Segunda: vivemos em uma sociedade machista, que naturaliza a violência de gênero e mantém um modelo de mulher submissa, objeto sexual, feita para satisfazer os homens. Precisamos acabar com essa cultura do estupro, que culpabiliza as vítimas e torna natural a violência sexual; Precisamos combater a ideia de que há “mulher para casar e mulher para curtir”, que separa mulheres em santas e vadias; Precisamos entender que toda mulher merece respeito.
Que se faça justiça para as moças do Piauí e do Rio de Janeiro. Por mim, por você, por todas nós!

*Laís Ferreira é jornalista e especialista em Direitos Humanos pela Universidade Católica de Pernambuco. É estudante de mestrado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Pernambuco. 
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