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quinta-feira, 26 de maio de 2016

Um Jesus para Homens de Verdade

Os erros e acertos do movimento masculino.
Por Brandon O’Brien
jesus-breaking-cross1jesus-breaking-cross1Osgaranhões confraternizam em bares, os eunucos confraternizam na igreja.” Esta observação de David Murrow mexeu comigo. Eu sempre prosperei na minha congregação, mas nunca tive certeza de que me encaixava no molde de masculinidade presente ao meu redor. Assim, da mesma forma que me ressinto da opinião de Murrow, esta no entanto, soa verdadeira: Em muitas igrejas, um certo tipo de homem é notoriamente ausente.
A disparidade entre homens e mulheres atendidos nas igrejas americanas fez os homens procurarem por ministérios especializados nas duas últimas décadas. O Promisse Keepersiniciou o movimento masculino em 1990 desafiando estádios cheios de homens e meninos a cumprir com as suas obrigações com Deus e com suas famílias. Atualmente uma literatura crescente tem observado a igreja, sugerindo que os homens se envolvem pouco com a igreja por ela não encorajar a participação masculina autêntica.
O primeiro escritor a popularizar essa preocupação foi John Eldrege cujo bestseller de 3 milhões de cópias vendidas Wild at Heart (Thomas Nelson, 2001)lamenta a situação dos homens que acreditam que Deus os colocou na Terra para serem bons meninos pois isso coloca o espírito masculino em risco. A tendência da igreja de promover o discipulado meramente como uma forma de torná-lo um “bonzinho” afasta os homens de aceitar a masculinidade dada por Deus.
Wild at Heart lançou as sementes de um “movimento masculino” cujo objetivo era levar os homens a freqüentar as igrejas mudando sua atmosfera. David Murrow, autor do livro Why Men Hate Going to Church (Thomas Nelson, 2004), fundou o grupo Church for Men porque, enquanto as congregações locais são “perfeitamente designadas para alcançar mulheres e idosos”— com ênfase no conforto, educação e relacionamentos — por isso oferecem pouco para comover o coração masculino, então os homens acham isso chato e irrelevante.”
Inspirado por Murrow, o comediante Brad Stine entrou no GodMen, um ministério que prove um ambiente no qual homens podem ser homens; rústicos e desinibidos; completamente livres para se expressar de um modo que apenas homens compreendem.” Em um encontro de 2002 do GodMen, o evento contou com vídeos de lutas de karatê, perseguições de carro e músicas como “Grow a Pair!” na qual se lê em sua letra:
Nós fomos derrotados
Feminilizados pela cultura coletivista
Chega de ser bonzinho, timido e envergonhado
Pegue a espada, não se assuste
Seja homem, honre suas bolas!
Esta canção não é cantada com a melodia de “In the Garden.
A mensagem da Church for Men e GodMen está repercutindo nos ministérios de todas as estirpes. Seguindo o conselho de Murrow, Don Wilson, pastor da Christ’s Church of the Valley na Peoria, Arizona, levou todo o seu ministério na meta de alcançar os homens jovens. E mesmo seu ministério não atendendo homens particularmente, Mark Driscoll, pastor da Mars Hill Church de Seatle, deseja mais testosterona no Cristianismo contemporâneo. Na opinião de Driscoll, a igreja tem produzido “um bando de garotos bonzinhos, delicados, sensíveis e emasculados. 60% dos cristãos estão efeminados,” ele explica, “e os 40% restantes são caras assexuados.”
O aspecto da igreja que os homens acham menos atraente é a concepção de Jesus. Driscoll fala sobre isso sem rodeios no seu sermão “Death by Love” em 2006 na conferência de teologia Resurgence (Disponível emTheResurgence.com). De acordo com Driscoll, homens de verdade evitam a igreja porque ela projeta um “Jesus hippie, com cara de Richard Simmons e esquisitão” pelo qual “ninguém viveria ou morreria.” Driscoll explica, Jesus não foi um cara cabeludo e efeminado”; na verdade ele tinha as mãos calejadas e um braço musculoso.” Esse é o tipo de Cristo que atrai os homens — o que Driscoll chama de “Ultimate Fighting Jesus.”
Paul Coughlin, autor de No More Christian Nice Guy (Bethany House, 2005), concorda: O problema com o Jesus fracote da imaginação popular é que “um Jesus dócil e meigo é indiscutivelmente chato e incapaz de nos inspirar.”
Eu respeito o que esses autores estão procurando fazer. Eles reconhecem que o Jesus da Bíblia — ao contrário do Jesus da arte e música cristã contemporânea — não tinha medo de denunciar, desafiar e ofender. Afinal de contas, ele chamou os fariseus de víboras e Pedro de Diabo. Assim, a maior contribuição do movimento é identificar o modo como a igreja reduziu a doutrina cristã a obediência dos próprios costumes. Murrow está certo; grande parte da experiência típica da igreja é ser “doce e sentimental, educado e bonzinho.” Para esses autores, bonzinho é um palavrão que resume a digressão da igreja da essência doutrinal para a simples moralização. Em suma, o movimento nos lembra no que Jesus e Paulo insistiram: O evangelho é uma ofensa e a doutrina é um convite para a cruz.
Re-masculinizando Jesus
O método do movimento de recuperar a essência do Evangelho, no entanto, representa uma ameaça real para a doutrina cristã. Estes autores vêem a fixação da Igreja sobre a moralidade como parte integrante da feminização da igreja, e eles sugerem que a solução é injetar uma forte dose de testosterona na igreja. Em outras palavras, permitir que as mulheres criassem Jesus a sua imagem emasculou-o; sendo assim, recuperar a imagem bíblica de Cristo é tão simples quanto re-masculinizá-lo.
A solução do movimento masculino assume que Jesus veio para modelar a verdadeira masculinidade. Os autores não dizem isso explicitamente, mas a retórica utilizada assume que os instintos masculinos são inerentemente divinos. Em Wild at Heart Eldredge afirma, “Nunca nos foi dito para matar o verdadeiro homem dentro de nós, nunca nos disseram para nos livrarmos dos desejos por batalhas, aventuras e beleza.” OGodMen repete o tema: Nossa masculinidade não foi reduzida por acreditarmos (…) que somos tementes e preparados maravilhosamente.” Essas declarações implicam que quando a igreja adota a psicologia masculina, ela atinge seu propósito, mas quando ela se conforma com uma psique supostamente feminina se torna uma aberração.
Murrow procura evitar essa conclusão insistindo que a igreja é mais saudável quando se parece com um bolo mármore, com a masculinidade e a feminilidade presente em partes iguais. Mas o que ele dá com uma mão ele tira com a outra. Ele diz que as mulheres acreditam que o propósito do cristianismo é encontrar “uma relação feliz com um homem maravilhoso” – Jesus – Ao passo que os homens reconhecem o chamado divino para “salvar o mundo das causas impossíveis.” Enquanto ele afirma ter uma história do seu lado. Quando a igreja era masculina ela cumpria seu propósito. Mas no século 19, as mulheres “começaram a modelar a igreja a sua própria imagem” (e elas continuam a fazê-lo), o que desviou a igreja do seu propósito.
Driscoll chega mais perto ao imaginar Jesus como o modelo de masculinidade quando ele argumenta que “motoristas dirigindo um Cabriolet enquanto bebem leite com pêra” não representam a masculinidade bíblica, porque homens de verdade – como Jesus, Paulo e João Batista – são “machos: heterossexuais, briguentos do tipo que não levam desaforo para casa.” Em outras palavras, porque Jesus não é um “riponga efeminado,” o homem criado a sua imagem não é um frouxo afrescalhado: eles são agressivos, assertivos e de poucas palavras.
Eu tenho minhas dúvidas quando os únicos modelos possíveis são “metrossexual” e “lutador de vale tudo.” Como Jesus eu trabalhei como carpinteiro, e suei cortando lenha. Mas eu não meço minha masculinidade pela grossura do meu pescoço, eu não suaria para ganhar a vida. Estou mais feliz quando leio e escrevo. Eu gosto de leite com pêra.
Além de oferecer uma visão estreita de masculinidade, essa estrutura exclui as mulheres totalmente da doutrina real. Para começar, isso põe a culpa nela pela palavra consoladora. Deixada a cargo delas, a igreja se torna boa,  afirmativa e perde sua visão para alcançar o mundo. Pior ainda, se Cristo é o modelo de masculinidade, logo as mulheres não podem imitá-lo. Elas podem persegui-lo como o amante de suas almas. Elas podem imitar sua devoção ao Pai nas relações com seus maridos. Mas não podem vir a se tornar como ele na essência.
Jesus, Plenamente Humano
Felizmente para as mulheres e homens, a Bíblia nunca fala dos cristãos como homens e mulheres reformados, mas como criaturas totalmente novas (2 Coríntios. 5:17). A queda fez mais danos ao coração humano do que o movimento masculino parece disposto a admitir. Por exemplo, as inclinações naturais do homem pode levá-lo a ser o “Mandão, Audacioso, Impetuoso, Valentão e Bronco” como um dos ditos do GodMen sugere. Mas a maioria destas são qualidades do antigo homem que são destruídas quando é transformado na imagem de Cristo. O desejo de um homem para a batalha, com o punho ou a caneta – pode muito bem ser natural, mas isso não os torna divinos automaticamente. Em outras palavras, a conversão não santifica nossos instintos; ao contrário, ela exige a submetermos todos os nossos instintos para o pastoreio de Cristo e crucificar os pecados, o que Paulo chama de “carne” (Ef. 2).
Mais importante, as escrituras não dão qualquer indicação de que Jesus veio a Terra para modelar a masculinidade. Ele é a “imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” (Col. 1:15). E como tal, ele não é simplesmente o homem perfeito; ele é o ser humano perfeito. Através de sua obediência ao Pai, Cristo exibiu as qualidades que devem caracterizar todos os que nele crêem, tanto homens quanto mulheres.
A entrada triunfal de Jesus é corriqueiramente considerada a prova da essência de sua masculinidade. Parece razoável: Enfurecido pela blasfêmia no templo dos sacerdotes, Jesus vira as mesas e chicoteia os mercadores numa demonstração de agressão justificada. Mas a história deve ser compreendida no contexto do evangelho de Lucas completo. Em Lucas (13:34), Jesus descreve seu amor por Jerusalém em termos maternais. Ele quis reunir Israel “como uma galinha acolhe seus pintinhos debaixo da asa.” Antecipando sua entrada final em Jerusalém, ele diz que visitará o Templo de Jerusalém quando o povo proclamar “Abençoado é aquele que vem em nome de Deus!” No que ele chega próximo a cidade em Lucas 19, ele chora com seus discípulos. Apenas após isso ele persegue os mercadores do templo. Em outras palavras, a limpeza do templo foi premeditada – e não uma explosão de raiva masculina, mas uma expressão apaixonada e simbólica do julgamento de Deus.
Meu ponto é o seguinte: Se Adão e Eva ilustram as diferenças essenciais entre o homem e a mulher, Cristo destaca a unidade essencial deles. Todos os cristãos são chamados a imitar Cristo exibindo as mesmas qualidades; Paulo não faz distinções entre os frutos masculinos e femininos do espírito. De fato, a evidência do trabalho espiritual é bem diferente das qualidades que o movimento masculino tipifica como um homem de “verdade”. Ao invés de “impetuoso, ofensivo” (Stine), “auto-suficiente, competitivo” (Murrow), “agressivo” (Driscoll), Paulo diz que aqueles que estiverem cheios do espírito santo serão amáveis, pacientes, pacíficos, generosos e gentis.
O movimento masculino gostaria que imitássemos o Jesus glorificado – aquele que retornará montado em um cavalo e brandindo a espada do julgamento final. Esse certamente é o Jesus que veneramos. E não o Jesus que somos ordenados a imitar. As únicas vezes que Jesus aparece nas escrituras como um guerreiro são em suas aparições pré-incarnadas no velho testamento e na glória pós-ressureição. Nosso modelo de comportamento é o Filho sofrido, não o glorificado. A humanidade na imagem de Cristo não é agressiva e combativa; é humilde e pobre (Fil. 2:5). Somos mais parecidos com Cristo não quando ganhamos uma luta, mas quando sofremos por causa da justiça (Efé. 5:1-2) (Tess. 1:6; 2:14).
Argumentar por características comuns entre homens e mulheres é diferente de reivindicar por papéis idênticos. Eu quero enfatizar as diferenças significantes entre homens e mulheres ou os desafios distintos que homens e mulheres encaram na doutrina. Se a coragem é algo de Cristo, então tanto homens quanto mulheres devem desenvolver a coragem, mesmo que o modo como ambos a desenvolvam possa se diferenciar. Em outras palavras, devemos desconfiar de qualquer interpretação das escrituras que simplesmente confirma os nossos instintos. Se é mais natural para um homem ser agressivo e para uma mulher ser passiva, então um genuíno encontro com Cristo deve desafiar o homem a ser gentil (Gal. 5:23) e uma mulher a ser forte (2 Tim. 1:7). O desafio da doutrina se aplica tanto a homens quanto a mulheres.
A Virilidade Verdadeira
De fato, Jesus não tinha medo de ofender e repreender. Ele nunca foi gentil em detrimento da verdade. E essas qualidades não são apenas masculinas; elas são divinas. Impor qualidades que consideramos masculinas na imagem de um Jesus que consideramos feminino não resolve o problema. Ele só nos dá um novo problema – outro Jesus culturalmente moldado, puramente masculino dessa vez.
O jeito de recuperarmos a imagem do Jesus Bíblico é sugerirmos aos padres e pastores que falem nos cultos/missas sobre as demonstrações de masculinidade e virilidade de Jesus ao invés de se focarem somente no aspecto da Graça e Compaixão de Cristo. No processo, devemos lembrar que o propósito da doutrina vai além de se tornar primariamente homem ou mulher por inteiro, faz parte da doutrina ser transformado na imagem de Cristo. No fim das contas, a imagem do Jesus Bíblico apresenta um modelo mais completo do que o Homem Jesus. Jesus era corajoso, honesto e destemido. Ainda assim sua força era medida tanto pela sua prontidão em socar malfeitores na boca, quanto em seu sofrimento na mão dos fracos pelo seu bem. Onde tal força é encontrada – seja num homem ou numa mulher, num bebedor de leite com pêra ou num bronco – essa é a força divina.
Tradução: Direita Realista
fonte:http://tradutoresdedireita.org/
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