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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Juiz diz que Cabral apadrinhou esquema ‘gigante’ de corrupção

Cabral. Ex-executivo da construtora Andrade Gutierrez teria delatado propina de 5% em obrasRIO — As investigações da Operação Saqueador apontam que o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) apadrinhou um esquema de desvio de recursos públicos da construção do Parque Aquático Maria Lenk, para os Jogos Pan-Americanos de 2007, e da reforma do estádio do Maracanã.
A citação a Cabral foi feita em um despacho de 28 de junho do juiz Marcelo Brêtas, da 7ª Vara Federal Criminal.
“As investigações produziram fortes elementos que apontam para a existência de gigantesco esquema de corrupção de verbas públicas no Rio de Janeiro, que contou, inclusive, com o apadrinhamento do então governador de Estado Sérgio Cabral”, diz um trecho do despacho de Brêtas.
O magistrado diz que a menção a Cabral decorre de depoimentos de delatores ouvidos pelo Ministério Público Federal no âmbito da Operação Lava-Jato.
Os dois delatores seriam Clóvis Primo e Rogério Nora de Sá, ex-executivos da construtora Andrade Gutierrez, que disseram que o peemedebista cobrou 5% de propina nessas obras.
Sá disse aos investigadores que Cabral usava a palavra “contribuição” quando fazia referência a propina. Segundo ele, a reunião em que o ex-governador pede para a Andrade Gutierrez “contribuir” para poder fazer parte do consórcio que fez as obras do Maracanã ocorreu em 2009, no Palácio Laranjeiras, mas que ele não se lembra a época do ano.
Ainda de acordo com o delator, a Odebrecht e a Delta ainda não estavam consorciadas, mas Cabral demonstrou que a incumbência da reforma era das duas empreiteiras.
LIGAÇÃO COM CAVENDISH
A Operação Saqueador foi deflagrada este ano pela Polícia Federal e pelo MPF e tem como alvo os negócios da construtora Delta. O dono da empreiteira, o empresário Fernando Cavendish, está em prisão domiciliar. Ele é um dos 23 réus na ação penal que corre na Justiça Federal do Rio. O ex-governador Sérgio Cabral não está nessa lista, mas foi citado no processo.
A ligação entre o ex-governador e Cavendish já tinha aparecido antes em delações da operação Lava-Jato.
PRESENTE DE R$ 800 MIL
Um reportagem do GLOBO na semana passada mostrou que o empresário chegou a dar um anel de € 220 mil (cerca de R$ 800 mil) para a então primeira-dama Adriana Anselmo em 18 de julho de 2009.
O empresário teria se surpreendido ao ser levado por Cabral à famosa joalheria Van Cleef & Arpels, onde um anel de ouro branco e brilhantes já estaria reservado, aguardando apenas o pagamento de Cavendish.
Uma foto de Cabral com Adriana, na qual a mulher exibe o anel na mão esquerda, é uma das provas exibidas por Cavendish à força-tarefa da Lava-Jato no Rio e em Brasília para provar a compra. O empresário negocia a delação premiada.
Ele também entregou a nota fiscal, o certificado de compra e o comprovante de pagamento com cartão de crédito. Depois que a amizade com Cabral foi rompida, contou Cavendish, o anel foi devolvido a ele por um amigo do ex-governador, Paulo Fernando Magalhães Pinto.
A fotografia, segundo O GLOBO apurou, foi feita no estreladíssimo restaurante Le Louis XV, do chef Alan Ducasse, no Hotel de Paris, em Mônaco, onde o grupo de amigos liderado por Cabral estava hospedado.
O ex-governador do Rio admitiu que a mulher foi presenteada pelo empreiteiro com o anel durante jantar em um restaurante de Mônaco. O ex-governador, no entanto, disse, por meio de nota, não saber o valor da joia.
Sobre a citação nas investigações da Operação Saqueador, o peemedebista negou as acusações ao RJTV. Ele manifestou indignação e repúdio ao envolvimento do nome dele com qualquer ilícito.


Fonte: http://oglobo.globo.com/oglobo-20350732#ixzz4PY1ksMzs
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