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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Nasa anuncia missão sem precedentes que vai ‘tocar o Sol’ Sonda é a primeira a chegar tão perto da estrela, a "apenas" 6 milhões de quilômetros. Meta é estudar os ventos solares, que oferecem riscos para a Terra

Nasa: missão Solar Probe Plus para tocar o Sol


Ilustração do Solar Probe Plus que ficará a cerca de 6 milhões de quilômetros do Sol, a maior aproximação já feita. (Johns Hopkins University Applied/Divulgação)

A Nasa anunciou nesta quarta-feira os detalhes de uma missão sem precedentes que irá ‘tocar o Sol‘. A sonda, programada para ser lançada entre 31 de julho e 19 de agosto de 2018, será a sonda que a chegar mais próximo da estrela, a cerca de 6 milhões de quilômetros — quase dez vezes mais perto do Sol que Mercúrio, primeiro planeta do sistema solar. O objetivo da sonda Parker Solar Probe, nomeada em homenagem ao astrofísico Eugene Parker, de 89 anos, que formulou importante teoria sobre o vento solar supersônico, é sobrevoar o astro para estudar a dinâmica dos ventos solares que representam grandes riscos para a rede elétrica e de satélites na Terra de modo a prever essas possíveis tempestades.
Missão que vai “tocar o Sol”

Para se aproximar de nossa estrela, a sonda Parker Solar Probe irá reduzir sua órbita gradualmente, ao longo de sete anos. Neste período, ela irá sobrevoar Vênus sete vezes até chegar à menor distância do astro, prevista para acontecer em 19 de dezembro de 2024. Neste momento, a espaçonave vai atingir uma velocidade de 724.000 quilômetros por hora e estará quase oito vezes mais perto da estrela que as sondas da missão Helios, lançadas pela Nasa e pela agência espacial da Alemanha Ocidental na década de 1970, que chegou a 43 milhões de quilômetros da estrela. Como a Solar Probe irá ficar muito perto do Sol, os cientistas da agência espacial americana desenvolveram um escudo de 11,43 centímetros de espessura feito de carbono para proteger os equipamentos das temperaturas que podem chegar a 1.377 ºC.

A principal missão da sonda é estudar a Coroa Solar – camada mais externa e larga da atmosfera do Sol com treze milhões de quilômetros de comprimento. Este envoltório, visível da Terra em eclipses solares, é constituído de plasma (gás com partículas carregadas com eletricidade) com temperaturas que atingem, aproximadamente, dois milhões de graus Celsius. São os átomos dessa camada que produzem os ventos solares por estarem em constante reação provocada pelas altas temperaturas. Um dos mistérios da astronomia é entender por que a Coroa é três vezes mais quente que a superfície do Sol, que tem 5.500 ºC. Outra questão é a aceleração do vento solar que de subsônico para supersônico (mais veloz que o som).

Estes estudos irão auxiliar nas revisões de eventos climáticos do espaço, prevenindo e protegendo a Terra de tempestades solares. Segundo a Academia Nacional de Ciências dos EUA, sem preparos, uma grande tempestade solar, como a Carrington em 1859, pode causar dois trilhões de dólares de prejuízos só nos Estados Unidos, com o leste do país correndo o risco de ficar sem energia elétrica por até um ano. Segundo a Nasa, há 12% de probabilidade que um evento dessa magnitude realmente chegue até a Terra nos próximos dez anos. Com o custo estimado de um bilhão e meio de dólares, a Solar Probe é a esperança da agência de monitorar o Sol. A ESA (agência espacial europeia) também planeja lançar sua sonda ao Sol em 2018, só que ela ira chegar bem menos perto da estrela, com aproximação máxima de 43 milhões de quilômetros.

Confira a animação da Nasa com a trajetória da Solar Probe Plus:
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