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sábado, 17 de junho de 2017

Desordem urbana toma as ruas do Rio e mexe com astral do carioca Camelôs, mendigos, sujeira e descaso são cenas recorrentes na vida de quem mora no Rio


Desordem no Catete: ambulantes e pedintes ocupam as ruas (Felipe Fittipaldi/Veja Rio)
Um pedaço de plástico estendido no chão é vitrine nas ruas do Rio para a venda de livros usados, aparelhos eletrônicos e utensílios de uso doméstico. Nas fachadas das lojas fechadas, a estratégia para exibir a mercadoria é mais elaborada. Sobre as portas cerradas, varais são estendidos para exibir roupas de marcas piratas em cabides. Em meio a bancas de jornal, lixeiras e pedestres, os vendedores ambulantes disputam espaço nas calçadas com mendigos e moradores de rua. A ocupação da cidade pelo comércio informal e por uma legião mendicante é um desdobramento da crise econômica que atinge o Rio, a começar pela falência financeira do governo estadual. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos três primeiros meses deste ano, o contingente de pessoas que se sustentam de bicos e por conta própria bateu em 1,8 milhão no estado. Com a inação do poder público diante da situa­ção — e somadas a sujeira, as pichações e a poluição que tomam a paisagem urbana —, o cenário ganha tons desoladores. “A escassez do serviço público e a desordem urbana transmitem uma ideia de abandono e contaminam a visão da população sobre a própria cidade”, afirma Sérgio Magalhães, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). “Eu mesmo, quando ando pelas calçadas do Jardim Botânico, onde moro, percebo um ambiente totalmente hostil”, completa.
Especializados em falsificações: camelôs dominam a Uruguaiana (Felipe Fittipaldi/Veja Rio)
As associações de moradores, a esfera mais acessível para quem se incomoda em ver a cidade tão largada, transformaram-se em pontos de convergência das reclamações sobre as encrencas dos bairros. Uma das mais recorrentes é a presença de moradores de rua. No Jardim Botânico, mendigos dividem espaço com uma barraquinha de comida árabe sob uma marquise na calçada da esquina das ruas Jardim Botânico e Lopes Quintas. “A desordem tomou conta do bairro. A sensação é que a cidade está um caos”, reclama Heitor Wegmann, presidente da Associação de Moradores do Jardim Botânico. Na Rua do Catete, os ambulantes ocupam a calçada, dificultando a passagem dos transeuntes. “O controle da fiscalização diminuiu, e, como preciso sustentar meus filhos, fico aqui tentando fazer algum dinheiro”, defende-se Marcelo de Souza, que vende livros usados. Além do transtorno na vida dos cariocas, o aumento dos camelôs se soma diretamente à decadência do comércio formal. O Centro lidera o ranking de lojas fechadas na cidade. Nos dois primeiros meses deste ano, o número de estabelecimentos que encerraram as atividades subiu 45% em comparação ao mesmo período de 2016, passando de 190 pontos de venda para 276, de acordo com o Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (Sindilojas). “Se não há ordem nem segurança, não há clientes e, consequentemente, acaba o comércio”, afirma Aldo Gonçalves, presidente do Sindilojas.
Comércio fechado e mendicância crescente: caos instalado na esquina das ruas Lopes Quintas e Jardim Botânico (Felipe Fittipaldi/Veja Rio)
Em resposta às reclamações, a prefeitura do Rio tenta corrigir a desordem com um projeto de nome pomposo: Macrofunção do Ordenamento e Gestão Sustentável dos Espaços Públicos (Mosep). Trata-se de uma força-tarefa para reduzir a confusão composta de representantes de oito órgãos municipais. “Nossa ação é mais branda do que a da gestão anterior, mas vamos aumentar o licenciamento e a fiscalização”, explica o secretário de Ordem Pública, Paulo Amendola, coordenador do projeto. A prefeitura, por meio da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, também mudou a abordagem do problema da população de rua. “Os abrigos devem ser temporários. Precisamos reinserir essas pessoas na sociedade, na sua família, no mercado de trabalho”, diz Teresa Bergher, titular da pasta. O município identificou, em 2016, 14 279 pessoas que moram nas ruas da cidade. O número é quase o triplo do contabilizado em 2013, que somava 5 580 indivíduos. As áreas de maior concentração são o Centro e Copacabana. Conhecidos os problemas, resta apenas partir para as soluções.
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