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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Movimento negro reclama de capoeira gospel: “apropriação cultural” Mistura de arte afrobrasileira com músicas de louvor é usado como instrumento de evangelização

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Os cristãos do Brasil se notabilizaram por criar uma versão “gospel” de quase tudo que vem da cultura secular. Mas nem sempre essas versões evangélicas recebem o aval das igrejas. Um bom exemplo disso é a capoeira, a dança/luta afrobrasileira, que se popularizou principalmente por meio da palavra e do gingado de antigos mestres que se converteram.
As canções continuam sendo entoadas ao som de berimbau e atabaque, que embalam a ginga e os saltos mortais. Porém, ao invés de cânticos que enaltecem os orixás ou com referências à cultura negra, os versos são de louvor a Jesus Cristo. Em algumas rodas há momentos de pregação e oração.“Não deixa seu barco virar, não deixa a maré te levar, acredite no Senhor, só ele é quem pode salvar”, cantavam cerca de 200 pessoas durante o “1º Encontro Cristão de Capoeira do Gama”, realizado recentemente no Distrito Federal.
Elto de Brito, membro da Igreja Cristã Evangélica do Brasil e um dos palestrantes do evento explica: “Hoje é difícil você ir numa roda que não tenha um (capoeirista evangélico), e vários capoeiristas viraram pastores. É um instrumento lindo de evangelização porque é alegre, descontraído, traz saúde, benefícios sociais”.
Praticante da capoeira há 40 anos e convertido há 25, mestre Suíno é líder do movimento “Capoeiristas de Cristo”, que reúne cerca de 5 mil brasileiros. Desde 2004, promove encontros nacionais em Goiânia, mas a edição de 2018 ocorrerá pela primeira vez em Brasília. Ele calcula que já existam cerca de 30 “ministérios” de capoeira, com grupos ligados a igrejas evangélicas.“Há um cuidado para não chocar com as visões da igreja. Cuidado com a roupa, com o linguajar, com as músicas, mas que “não necessariamente tem que ser só música que fala de evangelho, de Deus” frisa.
Para a maioria deles, trata-se também de um instrumento de evangelização. “O pastor com berimbau chega aonde o pastor de terno não chega”, resume a professora de capoeira Laís Dutra.

Secular X gospel

Além do conteúdo das músicas existem outras diferenças entre a capoeira evangélica e a da “capoeira do mundo”. O pastor Gilson Araújo de Souza, da Igreja de Cristo Ministério Apostólico, também é mestre capoeirista em Manaus. Ele explica que nas rodas evangélicas a troca de corda não é chamado de “batismo” pois o termo não pode ser confundido com o que mandou Jesus.
Os capoeiristas também evitam o uso de apelidos, pois isso vem da época que a capoeira era perseguida. “No mundo cristão, Deus nos chama pelo nome. Antes, eu era conhecido como mestre Gil Malhado, hoje sou chamado de mestre pastor Gilson. Não preciso me camuflar”, esclarece.
Gilson lembra que no passado enfrentou muita dificuldade para levar a capoeira para a igreja. “O pastor batia a porta na minha cara, dizia que era coisa da macumba, que não podia. Hoje eu sou pastor e as portas se abriram”, testemunha.
O mestre Suíno acrescenta que a decisão de usar o termo “gospel” foi para quebrar antigas resistências. Contudo, hoje em dia repudia esse “rótulo”, ciente da polêmica que tem gerado.
“Não existe capoeira gospel! Não queremos bagunçar a capoeira. Nós respeitamos os mestres, respeitamos os fundamentos da capoeira, respeitamos as tradições, e vamos defender porque quem não defende a capoeira não tem direito de ser capoeirista”, declarou ele durante o evento no Gama, onde o lema deste ano foi “minha cultura não atrapalha a minha fé”.

Conflito cultural

Os capoeiristas tradicionalistas e o movimento negro não gostaram de ver uma versão evangélica da arte, reclamam que é uma forma de apropriação cultural e apagamento da raiz afrobrasiliera, uma vez que a capoeira surgiu entre os escravos, a partir do século 18.
Alguns desses líderes tradicionais reclamam que por vezes ocorre uma “demonização” da capoeira tradicional, bem como das religiões do candomblé e da umbanda, historicamente interligadas com a dança/luta.
Em maio, o Colegiado Setorial de Cultura Afrobrasileira, que pertence ao Conselho Nacional de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, divulgou a “Carta de repúdio à ‘capoeira gospel’ e à expropriação das expressões culturais afrobrasileiras”.
“Temos lutado contra o racismo em suas diversas e perversas manifestações. A demonização perpetrada por pastores, mestres ou professores de ‘capoeira gospel’, ensinando o ódio e a intolerância contra as raízes da capoeira e contra seus praticantes não evangélicos, é um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana”, diz o documento, cujo objetivo era protestar contra o 3º Encontro Nacional de Capoeira Gospel ocorrido em junho deste ano, em João Pessoa (PB).
O organizador do evento na Paraíba, Ricardo Cerqueira, mais conhecido como contramestre Baiano, que pertence à Igreja Batista deixa claro que sempre respeitou os grandes mestres da capoeira, mas entende que a “capoeira não pertence à cultura africana”.
“O país é laico. Acho que cada um tem liberdade para fazer a sua capoeira da forma que quiser. Colocamos o nome gospel sem intenção de descaracterizar a capoeira, até porque nós usamos todos os instrumentos e cantamos também música secular”, asseverou. Com informações de BBC
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