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terça-feira, 3 de outubro de 2017

O mal da dependência institucional religiosa

Mundo
“Sabemos que aquele que nasceu de Deus não peca; mas o que é gerado de Deus se acautela, e o Maligno não o toca.
Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o Maligno.” – 1 João 5:18,19
Sei que muito gente vai se enfurecer com este artigo. Ou melhor, já devem estar enfurecidos só pelo título. Porém, esta é uma reflexão de quem acompanha a vida institucional religiosa desde criança, pois minha vida institucional da qual tenho lembrança se inicia aos 6 anos no catecismo católico.
Sempre tive minhas pulgas atrás da orelha, como diz o dito popular. Já na infância, minha mãe me alertava a tomar cuidado com o pároco da comunidade, pois o mesmo era dado a muito vinho. Na minha adolescência, fiz parte dos então iniciados grupos carismáticos porque acreditava que esses estavam mais próximos da Bíblia do que os católicos convencionais. Na minha conversão para o protestantismo (no meu caso, para o pentecostalismo), sempre me assustava com toda a mística envolvendo a igreja. Isso nunca me atrapalhou, pois sempre estive mais envolvido com a prática do que com as teorias, e nunca me deixei estimular pelos dogmas, preferindo as ações de misericórdia e solidariedade.
Uma das primeiras intrigas que tive com o “sistema institucional religioso” foi quando era professor de escola dominical em uma pequena congregação num bairro extremamente miserável da periferia de minha cidade natal. Tinha quase trinta alunos que chegavam às aulas nos domingos pela manhã, algumas crianças nuas, descalças, sujinhas, famintas, e algumas com somente uma peça de roupa. A maioria, filhos de pais envolvidos no alcoolismo, drogas, em todo o tipo de violência. Eu então trabalhava no período noturno e pela manhã me dirigia para essa escola com sacolas e sacolas de alimentos, roupas, calçados e brinquedos arrecadados durante a semana entre colegas de trabalho, vizinhos e amigos.
Então fui comunicado pela igreja-sede de que eu deveria incluir na classe da escola dominical da congregação as “revistas” exigidas pela instituição. Então comentei: “as crianças não têm roupas, não têm o que comer, como comprarão a revista?” E o irmão superintendente disse: “Paulo, são as regras da igreja!” E então descobri, a partir disso, que a instituição religiosa tem suas falhas, e falhas gravíssimas.
Assim como nesse exemplo, muitas são as perguntas que todo aquele que vive dentro do sistema religioso tem dentro de si e muitas vezes guarda calado.
Nessa história que referi, não adotei as revistas. Mas, aos poucos fui adquirindo bíblias para as crianças, ao ponto de todas as crianças terem uma bíblia. Ou seja, eu comprei uma grande briga com a instituição, pois quebrei a regra. E essa quebra de regra só não me trouxe grandes consequências porque a congregação cresceu, se tornou uma igreja (pois os pais e responsáveis pelas crianças, vendo a transformação que o Evangelho proporcionava em seus filhos, passaram a também frequentar a congregação).
Ou seja, a congregação cresceu, deu frutos. Sendo assim, a quebra de regras foi desconsiderada.
Porém, essa não é a realidade da igreja. A igreja vive sob um sistema pesado na sua dogmática, na sua eclesiologia, onde as regras falam muito mais alto do que a sensatez, a misericórdia, a solidariedade, o amor. Muitas vezes, as regras falam até mais do que a própria razão. E muitas vezes, até mais do que a própria fé.
Estamos no mês em que comemoramos 500 anos da Reforma e é uma boa lembrança nos referirmos aos motivos que levaram Lutero a afixar suas teses. Não é de hoje que o sistema institucional religioso está doente, decadente, ferido e ferindo a muitos.

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Dentro do versículo que descrevemos no início, a segunda parte é a que mais nos vem à lembrança. Porém, a primeira parte nos refere sobre a questão do “nascido de Deus”.
Em João 3, Jesus diz a Nicodemus que importa nascer de novo, pois aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus. E aqui em 1 João temos que o que realmente é nascido de novo o Maligno não lhe toca. E por que digo isso?
Porque todos aqueles que vivem ou fazem parte do sistema religioso e vivem as mentiras, as armações, as hipocrisias do sistema vivem uma vida de pecado.
Tenho visto, após décadas vivendo no sistema religioso, que muitos são os que vivem os pecados institucionais em troca de salários, em troca da casa pastoral, em troca de um carro, em troca de mestrados e doutorados, ou seja, todas as benesses do sistema. Porém, eles não se atentam de que o que realmente importa nessa vida é o estar em Cristo, como Paulo diz em 2 Coríntios 5: 17: aquele que está em Cristo nova criatura é. Ou seja, uma nova criatura que não se alimenta, que não se veste, que não usufrui dos favores do mundo. E isso inclui os favores institucionais.
Os milhões de desigrejados são vítimas das feridas provocadas pelo sistema religioso. Um sistema que vai coexistindo com a mudez e a conivência dos seus participantes. É muito fácil apontar as falhas do catolicismo, as falhas do espiritismo, mas é preciso entender que o sistema evangélico também é repleto de falhas: falhas doutrinárias, ético-morais, sociais, políticas. Porém, o grande mal é o corporativismo institucional, alimentado por todos aqueles que de certa forma vivem do sistema.
Há alguns anos encontrei um contemporâneo de faculdade teológica. Dialogando com ele, apontei-lhe o porquê dele ter aderido à Teologia da Prosperidade mesmo tendo todo o conhecimento teológico. Ele subitamente interrompe meus argumentos com a pergunta: “quantas vezes você foi para Israel?” Sinceramente, não acreditei estar ouvindo aquilo. E depois veio a outra: “que carro você tem?”
Ou seja, essa pessoa a qual me refiro não só havia sido engolida por um desvio doutrinário. Essa pessoa estava equivocada quanto ao seu novo nascimento.
Tenho enfrentado isso nos últimos anos. Depois que comecei a fazer parte do Movimento pela Ética Evangélica Brasileira e passei a denunciar os problemas da instituição evangélica, sou confrontado com os valores deste mundo. Muitos, quando sabem dos meus problemas de saúde, encontram argumentos para confrontar as verdades bíblicas. É preciso entender que a Igreja só tem sentido de existir se ela for o reflexo de Cristo descrito na Bíblia.
Só há um sentido da prática dogmática da Igreja: se essa dogmática for o reflexo de Cristo na Bíblia. A grande essência de um pastor, de um líder frente a uma comunidade religiosa não está no salário, nas viagens ou no carro, mas sim nos frutos do Espírito que a convivência dos santos proporciona.
A Igreja não é uma empresa. A Igreja não se fundamenta nos lucros. A Igreja é uma instituição totalmente espiritual, apesar de palpável. Para isso, é preciso que os que dela fazem parte vivam uma espiritualidade real, em Cristo. Por isso, ela é o contrário do mundo. Enquanto o mundo jaz no Maligno, a Igreja e os que dela fazem parte são de Deus e vivem os Seus valores. Isso deve ser manifesto com integridade, com transparência, com verdade, não com hipocrisias e mentiras.
A Palavra de Deus nos diz que todo obreiro é digno do seu sustento. Porém, a partir do momento em que o sustento se torna o motivo de eu estar na igreja isso passa a ser um profissionalismo, e aí os valores que norteiam minha vivência são totalmente institucionais.
Há muitos pastores puramente institucionais. Verdadeiros profissionais da fé. Jesus chama a esses de mercadores ou mer-ce-ná-rios. Sim, isso mesmo. Mercenários da fé.
O mercenário é aquele que atua, que age simplesmente pelo pagamento, sem se importar com a essência, os valores e as consequências do trabalho a ser realizado. Essa é a razão de tantas igrejas, apesar de cheias, não produzirem verdadeiros nascimentos em Cristo.
Essa é a razão pela qual, apesar do crescente número percentual de evangélicos, o Brasil ainda sucumbir diante da corrupção, da intolerância, da prostituição, da violência. Reflexos de uma igreja que vive mais os valores do mundo do que os valores de Deus.
Por isso João faz questão de lembrar que o mundo jaz no Maligno.
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A Igreja não depende de verbas públicas, a Igreja não depende de favores políticos, a Igreja não depende de ter um grande empresário. A Igreja depende de Deus, e para isso precisa viver Seus valores descritos na Palavra de Deus.
Sei que muitos não conseguirão ler essa reflexão. É mais fácil ignorar. É mais fácil viver os luxos do que ser confrontado com as verdades. Porém, como o título desse blog é As Pedras Clamam, estou aqui como uma pedra que clama, clamando por justiça, clamando por santificação, clamando por mais de Deus e menos do homem.
Espero que os que chegaram até aqui na leitura desta reflexão possam se sentir aliviados, pois apesar de fazerem parte de uma instituição religiosa, estão com as vestes limpas. Ou senão, que esta reflexão possa levar ao arrependimento e até, se possível, ao abandono do pecado.
Isso mesmo, abandono!
“Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.
E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.” – Mateus 5:29,30
Você está sendo radical, irmão!!! Do que que eu vou viver? Onde vou trabalhar?
Verdade. Porém, é preciso lembrar que essa vida é passageira, mas o inferno será eterno.
“Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar.” – Mateus 18:6
Eu poderia citar mais versículos, como por exemplo o capítulo todo de Mateus 23 ou Ezequiel 34, textos esses esquecidos por muitos.
Muitos devem estar horrorizados deste texto. “Como pode falar mal da instituição?”
Não. Estou falando contra os que fomentam a mentira, a hipocrisia, aos mercadores da fé que transformaram a Igreja num balcão de negócios. Há muitos homens e mulheres que não se venderam ao deus deste mundo. Há muitos mesmo. Porém, o número de mercadores cresce a cada dia.
Esta reflexão tem por intenção despertar os que pecam, pois assim age o Espírito Santo de Deus, sempre no propósito de chamar o homem à consciência, e assim o levar ao arrependimento. Não seremos salvos segundo nossa formação teológica, segundo nosso cargo ou posição dentro do sistema religioso, ou pelo quanto nos adequamos aos valores deste mundo, mas seremos salvos mediante o reconhecimento, em vida, do sacrifício de Cristo no Calvário.
Não viva em mentiras, pois o Pai da Mentira é o diabo. Mesmo que ele lhe pague um bom salário, esse salário pode ser sua ruína, pois o salário do pecado é a morte.
Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.
FONTE:https://pedrasclamam.wordpress.com/
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