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sábado, 4 de novembro de 2017

Pastor diz que Cabral pediu para que ele assinasse doação de videoteca a presídio Carlos Serejo, da Igreja Batista do Méier, diz que foi abordado para assinar termo na biblioteca da unidade

   
RIO - A defesa do pastor Carlos Alberto de Assis Serejo, da Igreja Batista do Méier, afirma que o ex-governador do Rio Sérgio Cabral pediu para o religioso assinar o documento que permitiu a doação de equipamentos de TV, DVD e home theater para a instalação de uma videoteca na Cadeia Pública José Frederico Marques, na Zona Norte do Rio, onde Cabral está preso. A acusação foi feita em uma nota de esclarecimento assinada pelo advogado de Serejo, Heckel Garcez Ribeiro, que circula nas redes sociais. Cerejo afirma que foi "induzido" e "manipulado" por Cabral.

Ao GLOBO, o advogado de Serejo confirmou o conteúdo do texto, mas não quis comentar o episódio. Na nota, o pastor narra que foi procurado por Cabral na tarde do dia 27 de outubro, durante um culto no presídio. Ele e a missionária Clotildes de Moraes — que também assinou o termo de doação dos equipamentos — teriam conversado com o ex-governador na biblioteca da unidade.

Segundo Serejo, Cabral teria dito no encontro que era preciso que um representante de uma instituição religiosa ou filantrópica assinasse o documento de doação dos equipamentos da videoteca, que já estavam no presídio, para “legitimar” seu uso pelos detentos.
“O preso solicitou ajuda e falou que era só assinar o papel, e esse favor foi feito. Por conta disso, concordou-se em assinar a doação, visando ao bem dos que ali estavam. Isso foi feito na extrema boa-fé e no claro intento de ajudar o próximo. Em verdade, os capelães e as missionárias, naquele momento, não conseguiam visualizar qualquer ilicitude ou algo do gênero, até porque os mesmos se pautam pela verdade da palavra de Deus, que diz amarás o teu próximo como a ti mesmo”, diz o texto.
O advogado do pastor informou ainda que seu cliente não sabe a origem dos equipamentos nem quem pagou por ele


Cadeia Pública José Frederico Marques em Benfica, onde o ex-governador Sérgio cabral está preso - Fabiano Rocha / Agência O Globo 29-05-2017

'HOMEM ARDILOSO'
“É fato que o Sr. Carlos Serejo e os outros agentes religiosos foram induzidos (enganados) a cometer o equívoco de assinar a doação (se é que tal documento possui validade para tanto, posto que somente a presidência e a diretoria das instituições têm legitimidade para isso), sendo usados e manipulados por um homem ardiloso cuja vida traduz a sua astúcia e o poder de manobra para conseguir o que almeja”, conclui o texto compartilhado nas redes sociais.
O pastor César Dias de Carvalho, da Comunidade Cristã Novo Dia, que também assina o termo de doação, afirmou que não pode confirmar se houve um pedido do ex-governador. Ele relata ter assinado o documento a pedido de Clotildes, ao fim de um culto na prisão.

Essa declaração do Serejo de que o Sérgio Cabral foi quem pediu, eu, infelizmente, não posso confirmar nem desmentir, porque não foi no mesmo ambiente (em que eu estava)’
- CÉSAR DIAS DE CARVALHOPastor da Comunidade Cristã Novo Dia
— Eu estava no culto, pregando para os rapazes. Quando terminou para ir embora, a Clotildes, que é minha coordenadora, chegou para mim simplesmente dizendo: “Olha, os presos ganharam um equipamento de TV e vídeo, só que, para dar entrada, a coordenação do presídio precisa da liberação de uma entidade religiosa, o senhor poderia assinar comigo?”. Aí já estava com a declaração pronta — disse, que continuou:
— Essa declaração do Serejo de que o Sérgio Cabral foi quem pediu, eu, infelizmente, não posso confirmar nem desmentir, porque não foi no mesmo ambiente (em que eu estava).
PUBLICIDADEO pastor César afirmou ainda que ele e os demais signatários do documento foram "iludidos" de que tratava-se apenas de uma solução "burocrática". Disse também que lamenta o que aconteceu pela coordenadora Clotildes, de 76 anos, que trabalhava há 22 anos na ajuda a presos.


— Fomos iludidos de que era só uma solução burocrática. Tem que ficar muito claro que nenhum de nós pensou que pudesse ser alguma coisa de privilégio para qualquer preso. De alguma maneira fomos envolvidos numa trama que foi muito triste. Foi uma semana bastante difícil. Estou lamentando muito o ocorrido pela vida da Clotildes, que fazia disso o seu motivo de viver — afirmou ele, que listou três fatores que o entristeceram nesse episódio:

— Para mim, o pior foi admitir que tinha assinado termo de doação de uma coisa que não doei. Depois, por imaginar como a Clotildes deve estar se sentindo. E também nos desdobramentos. Não sabemos quem vai continuar fazendo a capelania. Ficamos com pena daqueles que estão lá. Fazemos também um trabalho em Bangu 8, onde estão pessoas mais idosas. Esses aí, então, que são completamente abandonados. A gente acaba ficando muito triste por eles e sem saber se vão ter assistência ou não.

O GLOBO procurou a missionária Clotildes de Moraes, mas não conseguiu contato por telefone.

DEFESA DE CABRAL NEGA PEDIDO

Ao G1, o advogado do ex-governador, Rodrigo Roca, afirmou que a informação de que Cabral teria pedido para o pastor assinar o documento é falsa e que a nota apresenta uma série de contradições. Para Roca, o ex-governador “se tornou o lugar-comum como depositário das mazelas do que acontece no Estado do Rio de Janeiro” e não teria interesse no convencimento do pastor a assinar qualquer documento.

Na quarta-feira, o Ministério Público Estadual (MPE) abriu um procedimento para apurar possível prática de crimes contra a administração pública, falsidade ideológica ou material na instalação da videoteca e na doação de equipamentos. Procurado pelo GLOBO ontem, o MPE não respondeu se vai incluir as novas informações na investigação em curso.

A Secretaria de Administração Penitenciária do Estado do Rio (Seap) cancelou na última terça-feira a suposta doação. Segundo o “Jornal Nacional", da TV Globo, a compra dos equipamentos teria sido feita em dinheiro vivo a mando de Wilson Carlos, ex-secretário de Governo preso junto com Cabral.

Em nota, a Seap disse estar “decepcionada com tal fato”. E afirmou que, “devido a esse episódio, os benefícios das televisões nas celas e a recreação esportiva dos internos dessa unidade prisional, previstos na Lei de Execuções Penais, foram suspensos por 30 dias”.

Nesta semana, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar negando a transferência de Cabral para um presídio federal, no Mato Grosso do Sul. O pedido tinha sido feito pelo Ministério Público Federal (MPF) e autorizado pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio. O MPF informou que analisa as novas informações. Especialistas analisaram a decisão.
ESPECIALISTA NÃO VÊ RAZÃO PARA TRANSFERÊNCIA
Thiago Bottino, professor de FGV Direito Rio - Divulgação / Fundação Getúlio Vargas
O GLOBO consultou o professor de Direito Penal Thiago Bottino, da FGV-Rio, para saber se este novo episódio justificaria a ida do ex-governador Sérgio Cabral a um presídio federal. Na visão do especialista, não há razão para a transferência.
— Se qualquer irregularidade que fosse encontrada justificasse a ida para um presídio federal, não teria um preso no Rio. Assim como essa aparelhagem entrou ali, talvez outros presos tenham feito entrar outras coisas. Se levar todo mundo para presídio federal por conta disso... A ideia perde um pouco o sentido. São poucas vagas e pessoas (presas) muito perigosas. O caso clássico do Rio são chefes de milícia e do tráfico, daí (a necessidade de) afastar eles da cidade e (colocá-los) em presídio de segurança máxima — disse Bottino, acrescentando:
— Realmente, em Benfica é mais fácil invadir e soltar os presos. Quando se está olhando para esse tipo de coisa, aí sim (vale a transferência). Mas não regalias. (No caso de) regalias, o que você faz é fiscalizar melhor. Tanto Ministério Público como a administração (da cadeia) podem fazer isso. Podem chegar lá e ver o que está acontecendo, se estão deixando entrar alguma coisa. Me parece mais fácil, mais barato, mais adequado.
Para o professor da FGV-Rio, a solução passa por reforçar a fiscalização. Essa também seria uma maneira de igualar o tratamento entre todos os detentos:
— Deveria ser reforçada a fiscalização. Se algum representante do MP quiser ir lá uma ou duas vezes por semana, pode ir. Tenho certeza que é mais barato e efetivo para inibir esse tipo de tratamento indevido. E é bom que indo lá uma vez por semana pode até ver como estão os outros presos também, se estão sendo mal tratados. É bom que já melhora a cadeia inteira.
Fonte:https://oglobo.globo.com/



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