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sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

As universidades estão tomadas pela esquerda

Resultado de imagem para Com 2.060.786 votos, Janaina Paschoal (PSL-SP) é a deputada mais votada da história do Brasil. Teria força para ser representante federal e quase foi vice na chapa de Jair Bolsonaro. Porém, quer participar mesmo é da política estadual paulista, almejando a presidência da Assembleia Legislativa (Alesp) logo de chegada, amparada pelas urnas e pela proximidade do PSL com o governador eleito João Doria (PSDB). Sua trajetória é extraordinária. Até há três anos ela era professora de Direito Penal da USP e tocava com as irmãs um escritório especializado em questões tributárias, financeiras e ambientais. Após protocolar o pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 1º de setembro de 2015, ao lado dos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr., virou personagem política. Adorada por milhões ao centro e à direita, Janaina acredita que o pensamento da esquerda acadêmica precisa ser combatido por atentar à liberdade de ideias e aos direitos individuais. Confiante, ela não hesita: “Sou protagonista”.  A senhora assinou o pedido de impeachment de Dilma, defendeu suas ideias políticas, foi atacada e conseguiu se eleger deputada estadual em São Paulo com a maior votação da história. A senhora se sente uma protagonista da história recente?  Sim, acredito que eu sou protagonista. Digo isso não por vaidade, mas por ser um fato, uma constatação. É o protagonista quem conduz, não quem é conduzido.  Se tivesse aceitado participar da chapa de Bolsonaro, agora seria vice-presidente eleita. No passado, você chegou a pensar em concorrer a algum cargo eletivo?  Concorrer a um cargo público com mandato não estava nos meus planos, mas findou ser necessário, pois eu estava me sentindo asfixiada em meus ambientes de trabalho. Precisei buscar um novo espaço para defender minhas ideias.  Dada sua votação, não seria melhor ter tentado a Câmara Federal? Como deputada federal suas iniciativas teriam maior repercussão.  Quanto mais conheço a dinâmica da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), mais me convenço de que ali precisam mui
Com 2.060.786 votos, Janaina Paschoal (PSL-SP) é a deputada mais votada da história do Brasil. Teria força para ser representante federal e quase foi vice na chapa de Jair Bolsonaro. Porém, quer participar mesmo é da política estadual paulista, almejando a presidência da Assembleia Legislativa (Alesp) logo de chegada, amparada pelas urnas e pela proximidade do PSL com o governador eleito João Doria (PSDB). Sua trajetória é extraordinária. Até há três anos ela era professora de Direito Penal da USP e tocava com as irmãs um escritório especializado em questões tributárias, financeiras e ambientais. Após protocolar o pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 1º de setembro de 2015, ao lado dos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr., virou personagem política. Adorada por milhões ao centro e à direita, Janaina acredita que o pensamento da esquerda acadêmica precisa ser combatido por atentar à liberdade de ideias e aos direitos individuais. Confiante, ela não hesita: “Sou protagonista”.
A senhora assinou o pedido de impeachment de Dilma, defendeu suas ideias políticas, foi atacada e conseguiu se eleger deputada estadual em São Paulo com a maior votação da história. A senhora se sente uma protagonista da história recente?
Sim, acredito que eu sou protagonista. Digo isso não por vaidade, mas por ser um fato, uma constatação. É o protagonista quem conduz, não quem é conduzido.
Se tivesse aceitado participar da chapa de Bolsonaro, agora seria vice-presidente eleita. No passado, você chegou a pensar em concorrer a algum cargo eletivo?
Concorrer a um cargo público com mandato não estava nos meus planos, mas findou ser necessário, pois eu estava me sentindo asfixiada em meus ambientes de trabalho. Precisei buscar um novo espaço para defender minhas ideias.
Dada sua votação, não seria melhor ter tentado a Câmara Federal? Como deputada federal suas iniciativas teriam maior repercussão.
Quanto mais conheço a dinâmica da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), mais me convenço de que ali precisam muito mais de mim do que no Congresso, em Brasília. Posso ajudar com minhas ideias para tornar a Alesp ainda mais dinâmica, técnica e independente. Minha intenção é prestigiar os quadros profissionais mais técnicos, trabalhando para resgatar a competência material para legislar, levando à votação projetos acerca dos quais não há acordo, dentre muitas outras medidas.

Como a senhora vê a formação do novo governo? Está muito para a direita, está muito para o centro?
Por enquanto, não tenho críticas aos nomes indicados pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, já que nem todos eu conheço. Vamos aguardar o trabalho. É difícil falar assim, em teoria.
Como está a sua relação com a militância do partido? De início a senhora criticou alguns “pela ânsia de ouvir um discurso inteiramente uniformizado”.
Nunca fui militante, nem ativista. Sempre busquei e busco ser justa com as coisas. Por enquanto, o pessoal do PSL está me recebendo muito bem. Não tenho nenhuma queixa deles.
A senhora diz que há doutrinação ideológica na academia. Isso já prejudicou sua carreira de mais de 15 anos como professora?
As universidades estão tomadas pela esquerda. A questão não é só ideológica, é econômica também. Eles se unem em torno de ideias supostamente libertárias, mas por trás há um joguinho de poder: os concursos, as promoções, as viagens ao exterior, os pequenos cargos com acréscimo salarial, as bolsas de estudo. O problema é bem mais profundo do que parece.
Como foi enfrentar a esquerda, que em muitos momentos tentou desacreditá-la pelo escárnio?
A intelectualidade de esquerda se acostumou a não ser questionada. Quando surge alguém que estuda e os desafia, eles fazem necessário crer que o crítico é louco ou burro. Trata-se de uma tática. O problema é que os poucos que tentam desafiar esse esquema não têm força para prosseguir. Por isso a covardia deles impera.
Impacto do discurso da República de Cobras, proferido em 2016, na Faculdade de Direito da USP, deu corda para as críticas. Em algum momento você ficou chateada com os ataques, principalmente no YouTube e no Twitter?
Creio que o discurso referente à República da Cobra foi extremamente racional e correto, por isso foi necessário que a esquerda o desmerecesse. Mas teve um lado bom. Poucas pessoas estão associadas a clipes de rock pesado mundialmente famosos [“The Number of the Beast” e “The Trooper”, ambos do Iron Maiden]. Eu tive esse privilégio.
Não haveria excessos equivalentes à direita? Como fica a vida de um professor diante das propostas do movimento Escola Sem Partido? Afinal, todo o discurso possui algo de ideológico. Não estaria na hora de colocar alguma serenidade nessa discussão?
O aparelhamento da esquerda chegou a tal ponto, que a radicalização do outro lado, da direita, se explica. Sou contra proibir temas ou filmar professores, mas, muitas vezes, os alunos não possuem alternativas, pois os diretores e coordenadores às vezes também estão cooptados. Esse é um problema que também reside nas escolas particulares.
Mas como evitar abusos? No Paraná uma professora foi suspensa por dar aulas de educação sexual com uma metodologia recomendada. Em Natal, um professor foi ameaçado por responder uma pergunta sobre Lei Rouanet.
Com relação aos casos específicos que você mencionou, prefiro não opinar por não conhecer os detalhes. Sobre os prejuízos criados pelos preconceitos ideológicos, digo, com tranquilidade, que a maior prejudicada é a universidade, que perde com a imposição de um pensamento único.
Há carência de idéias novas no meio acadêmico?
Universidade vem de universo. Apenas a liberdade de pensamento estimula o aprimoramento. O problema não está na falta de novos autores, mas numa abordagem marxista, ou alegadamente marxista, sobre todos os temas. Sempre indico a leitura do livro de Norberto Bobbio “Nem Com Marx, Nem Contra Marx”. O objetivo sempre é tentar abrir a mente.
Como fica o seu PSL em São Paulo? Uma parte apoiou Doria, outra, o derrotado Márcio França.
Quero uma atuação técnica para o PSL. Não seremos nem contra nem a favor do governador João Doria. Seremos técnicos e, por conseguinte, a favor da população. Tenho muitos projetos em mente, ainda não defini qual será o primeiro. De todo modo, se eu ganhar a presidência da casa, meu projeto principal será resgatar a soberania do poder legislativo estadual.
A ex-presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, comentou que o mundo vive um momento que pode ser perigoso às instituições. Como a senhora avalia esse comentário?
As instituições correm riscos é com criminosos no poder. A chegada de Jair Bolsonaro e a escolha de Sergio Moro para o Ministério da Justiça se constituem um grande alento.
E se o governo federal começar a limitar os direitos dos gays, como a união estável? Qual seria seu posicionamento?
Serei contrária, claro. Não queremos tirar direitos das comunidades LGBT, só queremos proteger as crianças da instrumentalização ideológica. Crianças são crianças, não podem ser tratadas como bandeiras das causas alheias.
E o ativismo do Judiciário? É só culpa da inação do Legislativo?
Em parte, sim. Os parlamentares se diminuem quando apelam ao Judiciário para resolver seus problemas e isso vem ocorrendo de modo crescente no Brasil.
O que o futuro ministro Sergio Moro terá de fazer para seu trabalho trazer bons resultados?
Ele terá que ser técnico. Para isso é que ele foi convidado. Moro é muito inteligente e preparado. Ele tem plenas condições de aperfeiçoar o que eu batizei de “processo de depuração” do Brasil. Como ministro, ele também precisará estar preparado para a ciumeira e para lidar com a sua transição do Judiciário para a Esplanada. Não será uma tarefa fácil, mas creio que o sucesso dele será também o sucesso do Brasil. Esse processo de depuração que falo passa pela investigação e a punição dos muitos ilícitos praticados na gestão da coisa pública, em regra, tratada como se fosse uma terra de ninguém.
Onyx Lorenzoni admitiu Caixa 2, Pauderney Avelino foi citado na Lava Jato e Alberto Fraga está condenado. Não é complicado apoiar um governo com essas figuras?
Difícil falar sem ver os documentos. Corroboro a fala de Moro: que vejamos a consistência das imputações a cada um deles.

A senhora é uma acadêmica, faz política, não depende de ninguém e tem muita voz perante a sociedade. Você se considera uma feminista?
Sou uma feminista, na medida em que luto pelo reconhecimento do mérito das mulheres e as estimulo a se prepararem para ocupar espaços na sociedade. O problema é que o termo feminismo foi distorcido no Brasil.
E como é ser feminista e ter um discurso mais à direita? Nos EUA e Europa isso não seria um problema.
Lutar pelo reconhecimento das conquistas femininas tem a ver com lutar pelas liberdades individuais. Esse discurso é estranho às pautas esquerdistas, que pensam e tratam a todos como partes de um bloco único.
A senhora manteve contato com o jurista Miguel Reale Jr., com quem assinou o pedido de impeachment, junto com o jurista Hélio Bicudo, falecido em julho? A senhora pretende voltar a lecionar no curso de Direito da USP?
Há mais de um ano perdi o contato com o professor Miguel Reale Jr. (seu orientador no doutorado). E, sim, após o cumprimento do meu mandato, pretendo voltar a lecionar na Universidade de São Paulo.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Aerogel aprisiona calor solar

Aerogel aprisiona calor solar

Redação do Site Inovação Tecnológica - 18/10/2019
Aerogel aprisiona calor solar
Em uma temperatura ambiente abaixo de zero grau, o dispositivo manteve-se internamente a 220º C.
[Imagem: Lin Zhao et al. - 10.1021/acsnano.9b02976]

Coletor de calor solar
Um material recém-desenvolvido, tão perfeitamente transparente que você mal consegue vê-lo, pode se tornar o elemento essencial da exploração da energia termossolar - a energia extraída do calor do Sol.
O material gera temperaturas muito mais altas do que qualquer coletor solar já fabricado - o suficiente para ser usado para aquecimento doméstico ou para processos industriais que exijam calor acima de 200 graus Celsius.
A chave para essa coleta de calor é um novo tipo de aerogel, um material leve e ultraporoso - ele consiste em mais de 99% de ar - com uma estrutura feita de sílica, ou óxido de silício, também usada para fazer vidro. Como é transparente, o aerogel permite que a luz solar passe através dele, mas impede que o calor solar escape.
Aerogel termossolar
Os aerogéis vêm sendo desenvolvidos há anos como materiais isolantes térmicos altamente eficientes e leves, mas geralmente eles têm transparência limitada à luz visível, com um nível de transmissão de cerca de 70%.
Lin Zhao e colegas do MIT, nos EUA, sintetizaram um aerogel que deixa passar mais de 95% da luz solar recebida, mantendo as propriedades altamente isolantes dessa espuma de sílica.
A inovação está nas proporções precisas dos diferentes produtos químicos usados para criar o aerogel, que é feito misturando um catalisador com um composto contendo silício em uma solução líquida, formando um tipo de gel úmido. Quando esse gel é seco, resta uma matriz que é principalmente ar, mas retendo a estrutura da mistura original. Ao criar uma mistura que reage quimicamente muito mais rapidamente do que as dos aerogéis anteriores, a equipe constatou que o gel fica com espaços porosos menores entre os grãos, que difundem menos a luz, deixando-a passar.
Aerogel aprisiona calor solar
Esquema do coletor passivo de calor solar.
[Imagem: ACS Nano]
Coletor passivo de calor
Em testes em um telhado no campus do MIT, um dispositivo passivo - um material escuro absorvente de energia solar - coberto com uma camada do novo aerogel conseguiu alcançar e manter uma temperatura de 220 °C, no meio do inverno no hemisfério Norte, quando o ar externo estava abaixo de 0 ºC.
Para a maioria as utilizações práticas, o sistema passivo de coleta de calor seria conectado a tubos contendo um líquido que poderia circular para transferir o calor para onde ele for necessário. Como alternativa, a equipe sugere que, para alguns usos, o sistema possa ser conectado a tubos de calor, dispositivos que podem transferir calor a uma certa distância sem exigir bombas ou peças móveis.

Bibliografia:

Artigo: Harnessing Heat Beyond 200 °C from Unconcentrated Sunlight with Nonevacuated Transparent Aerogels
Autores: Lin Zhao, Bikram Bhatia, Sungwoo Yang, Elise Strobach, Lee A. Weinstein, Thomas A. Cooper, Gang Chen, Evelyn N. Wang
Revista: ACS Nano
DOI: 10.1021/acsnano.9b02976

O Rio de Janeiro faliu. E o Brasil tem muito a aprender com essa história.

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O ano é 2010. O Brasil é a bola da vez no mundo. Em meio a uma crise que assola os países mais desenvolvidos do planeta, ocupamos a capa da revista “The Economist”, uma das mais importantes publicações já criadas, com a imagem de um cristo redentor decolando. O Brasil vivia uma festa. O país iria sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas e apenas alguns meses depois descobriria seu maior crescimento econômico em 35 anos. Do outro lado do Atlântico, na Europa, o cenário era o exato oposto. Apenas seis anos após sediar uma olimpíada, a Grécia era o centro de um continente em crise, o símbolo de um modelo que deu errado. Passado o mesmo tempo, já em 2016, prestes a sediar as Olimpíadas, a cena se repete – o Rio de Janeiro acaba de declarar falência. Muito mais do que coincidência, a história é, no fundo, uma grande lição.
Do Caburaí ao Chuí, os governos estaduais estão quebrados (dez deles já parcelam salários). Todos, sem exceção, gastam mais do que o recomendado com pagamento de funcionalismo público. Em três deles, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, já se gasta mais com aposentadorias e pensões do que com educação e saúde. Para onde quer que se olhe, o cenário é quase sempre o mesmo.
Para muitos estados, como o Rio Grande do Sul, por exemplo, que convive há mais de quatro décadas com déficit nas contas públicas, a situação pode ser considerada dentro dos padrões normais, ou ao menos dentro do esperado. Em outros casos, como o do Rio, no entanto, a situação ainda parece difícil de acreditar. Trata-se do mesmo Rio de Janeiro que há 10 anos esperava crescer o dobro da média nacional e atingir até 20% de participação no PIB brasileiro em 2016. O motivo pra euforia? A descoberta da camada pré-sal lá em 2007. O otimismo não rolou à toa. Apenas entre 2014 e 2016 o estado recebeu nada menos do que R$ 235 bilhões em investimentos, boa parte deste valor destinado à indústria do petróleo e à infraestrutura necessária para sediar os jogos olímpicos.
No papel, o Rio estava bombando. Como em uma das famosas apresentações de Eike Batista, seu ilustre morador, tudo parecia ajustado e pronto para explodir. Na prática, porém, as coisas desandaram tão rápido quanto pareciam crescer.
Poucos meses antes de sediar as Olimpíadas para as quais vem se preparando há quase uma década, o Rio declarou “estado de calamidade pública”. A medida emergencial significa que na prática o governo estadual terá acesso mais rápido à liberação de recursos por parte do governo federal (estimados em R$ 3 bilhões), permitindo pagar salários e horas extras, além de continuar investindo nas obras fundamentais para a realização dos jogos olímpicos.
Com um déficit estimado para este ano em R$ 19 bilhões, ou quase metade do total arrecadado em 2015, o governo do estado não chegou até esse patamar sem nenhum motivo. Disfarçado por muito otimismo, algumas partidas marcantes de Copa do Mundo e uma enxurrada de investimentos por parte de estatais como a Petrobras, há alguns fatores que levaram o estado à situação atual. Entender estes motivos significa na prática se adiantar em alguns meses, ou na melhor das hipóteses, poucos anos, aquilo que tem boas chances de ocorrer ao governo federal. Abaixo, oferecemos um manual completo de como não evitar estes problemas.

Gaste mais com aposentados do que com estudantes

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Falar que há problemas na previdência brasileira pode parecer chover no molhado. Há anos a reforma no setor vem sendo debatida e discutida. Evitar um déficit que pode alcançar a casa dos trilhões é provavelmente uma das mais urgentes medidas que qualquer governo poderia tomar. Apenas para este ano, por exemplo, o governo federal estima que o déficit dos 28 milhões de beneficiários do INSS deve atingir R$ 146 bilhões, valor próximo daquilo que deve ser alcançado pelos 1,2 milhão de aposentados e pensionistas do serviço público. Dizendo de outra forma, nada menos do que R$ 700 bilhões serão gastos em 2016 para pagar benefícios sociais (mais do que a arrecadação de todos os estados brasileiros).
Escondida em meio a esse debate nacional, a previdência dos estados chega a apresentar dados ainda mais assustadores. Para este ano, o déficit programado deve atingir R$ 51 bilhões. E quase 25% deste valor deve-se a um único estado: o Rio de Janeiro.
Em todo o país, apenas dois estados possuem mais aposentados do que trabalhadores na ativa: o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro. Em outras palavras, para cada médico, policial ou professor que lhe presta um serviço público, você precisa pagar por pelo menos dois.
Como nos demais estados brasileiros, o Rio de Janeiro se especializou em um sistema no qual cada funcionário na ativa paga uma contribuição sobre seu salário, que é destinada a cobrir o salário daqueles que estão aposentados. A diminuição do número de funcionários na ativa em relação aos inativos tem se agravado nos últimos anos – e com ela a necessidade de aportes do Tesouro.
Ao contrário dos demais estados, porém, o Rio criou uma fonte específica e complementar de financiamento da sua previdência estadual: os royalties do petróleo. Em 2014, nada menos do que 55% dos pagamentos de aposentadorias e pensões tinham como origem os royalties aos quais o estado tinha direito. Cerca de 95% de todos dos royalties do estado se destinavam a cobrir gastos com previdência. Com a queda no preço do barril de petróleo, no entanto, a situação tornou-se insustentável. Royalties hoje bancam apenas 28% dos gastos com previdência. Cabe ao governo do estado complementar. Em 2015, isso significou aportar R$ 7 bilhões na “RioPrevidência”.
Entre 2007 e 2015, os gastos com previdência no Estado saltaram de R$ 5,7 bilhões para R$ 17 bilhões. Graças à receita abundante dos royalties, em especial quando o petróleo atingiu US$ 145 por barril, o estado pode reajustar pensões, elevando o gasto médio de R$ 900 para R$ 4 mil no período. Atualmente, cerca de 66 em cada 100 funcionários na ativa possuem a chamada “aposentadoria especial”, podendo se aposentar mais cedo do que as demais categorias (em especial, bombeiros, policiais e professores), o que contribui significativamente para elevar o déficit da previdência. O socorro ao fundo de previdência fez os gastos do governo estadual com aposentados e pensionistas saltar nada menos do que 118% apenas em 2015.
Juntos, os estados brasileiros possuem uma conta a ser paga de R$ 2,4 trilhões na previdência. Ao contrário do Rio, no entanto, a maioria deles não pode contar com a sorte de ter as maiores reservas de petróleo no país. Sozinhos, os gastos com previdência no Rio atingem mais do que aquilo que é gasto em saúde (R$ 3,96 bilhões), educação (R$ 4,04 bilhões) e segurança (R$ 5,18 bilhões), somados.

Uma repartição pública a céu aberto

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Pouco mais de um século e meio como capital do país fizeram do Rio um estado onde se respira funcionalismo público. Nem mesmo cinco décadas de mudança da capital para Brasília foram capazes de apagar isso. Ainda hoje, inúmeras empresas estatais, bancos públicos e repartições das mais variadas possuem o Rio de Janeiro como sede.
Não por acaso, há mais funcionários públicos federais no Rio de Janeiro hoje do que em Brasília. São cerca de 258,5 mil contra 178,5 mil funcionários públicos na atual capital federal. Em termos de salários, o Rio é destino de R$ 22 bilhões anuais contra R$ 10,3 bilhões de Brasília (incluindo aí apenas funcionários do Executivo).
Cerca de 1 em cada 5 trabalhadores no estado tem como empregador o setor público. São 18,64%, acima da média nacional. Como a Lei de Responsabilidade Fiscal não obriga os estados a contabilizarem gastos com previdência como sendo “gastos com pessoal”, a situação do estado passou anos como sendo aparentemente uma das mais positivas do país.
Toda maquiagem contábil, porém, não impediu que o Rio fosse o segundo estado do país a começar a parcelar salários. Mesmo sendo em teoria o estado que menos gasta com pessoal em todo o país (apesar de ser um dos que mais emprega), o Rio está oficialmente “incapacitado de pagar o funcionalismo”, nas palavras do próprio governador em exercício.
Justamente por não ferir o que manda a LRF (gastar no máximo 44% da sua receita corrente líquido com funcionalismo), o Rio se viu livre para elevar salários e amenizar o fato de que seus policiais e professores se encontram entre os cinco mais mal pagos do país.
Quando somado ao aporte que o Estado teve de fazer para pagar aposentados e pensionistas, a folha de pessoal teve custos de R$ 24,5 bilhões em 2015, sendo R$ 10,84 bilhões com inativos. A receita do estado, porém, teve queda, atingindo R$ 39 bilhões. Quando incluídos aí todo os gastos com funcionalismo inativo, o Rio de Janeiro gastou R$ 31,6 bilhões no ano, um crescimento de 146% desde 2009. No mesmo período a inflação medida pelo IPCA atingiu 57,29%.

Distribua benefícios e socialize o prejuízo

Eike Batista, Adriana Ancelmo,Lula,Pezão,Sergio Cabral e Eduardo Paes-Show benef.de Ney Matogrosso -foto Marcelo Borgongin0 (9)
R$ 138 bilhões.
O valor, quase oito vezes o déficit que o governo estadual deve atingir em 2016, representa aquilo que, de boa vontade, os governadores do estado abriram mão de arrecadar em ICMS entre 2008 e 2013.
Para atrair empresas da área de petróleo, infraestrutura, siderurgia e bebidas, o governo do estado não se fez de rogado – botou a mão no bolso dos pagadores de impostos e distribuiu as benesses. Ao mesmo tempo em que elevava a distribuição de isenções fiscais, o governo fluminense aumentava também a sua já preocupante dívida. Ao final de 2013, o Rio devia R$ 107 bilhões, quase o dobro dos R$ 59,2 bilhões devidos em 2008.
A escolha de quem receberia os benefícios ficou a cargo do governo estadual. No meio de tantos bilhões, casos como a indústria de jóias, que recebeu isenções de R$ 230 milhões, chamam a atenção. Enquanto obrigava toda a população a bancar uma máquina pública cada vez mais pesada, o governo concedeu benefícios a uma indústria cuja base de consumidores é essencialmente a camada mais rica dos moradores do estado.
Dentro deste valor, há ainda casos mais curiosos, como o da montadora Nissan, que recebeu R$ 353 milhões em isenções, além de ter tido sua fábrica no estado financiada pelo próprio governo, ao custo de R$ 5,9 bilhões, com carência e prazo para pagamento em 30 anos.
Outros R$ 760 milhões via crédito de ICMS foram destinados a financiar a expansão da AMBEV em Piraí, onde o governador Pezão foi prefeito por dois mandatos. Menos de um ano antes, a empresa havia recebido R$ 850 milhões para financiar uma de suas sedes. A montadora alemã Volkswagen foi outra das beneficiadas, recebendo R$ 2,1 bilhões para se instalar no estado.
Para o governo, a prática estimula a geração de empregos. No acordo com a AMBEV, por exemplo, foram criadas 73 vagas de empregos. Somando os dois contratos, a empresa recebeu nada menos do que R$ 7 milhões por emprego gerado.

Use o cartão de crédito para bancar as festas

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Reformado para os jogos Panamericanos, para a Copa do Mundo e agora para as Olimpíadas, o Maracanã já demandou sozinho R$ 1,2 bilhão do governo do Estado – quase 5 vezes o valor investido em sua construção na década de 40 (com valores são atualizados). Hoje sob concessão da empreiteira Odebrecht, o estádio é apenas um dos exemplos da festa que foi o Rio de Janeiro na última década. A expectativa das Olimpíadas, a final da Copa do Mundo e tudo que gira ao redor disso, fizeram o estado entrar em uma onda de gastos que pode chegar a R$ 39,1 bilhões, ou mais de duas vezes o valor estimado para o déficit deste ano.
O decreto emitido pelo governo em exercício é parte do plano para impedir que os serviços públicos no estado entrem em colapso antes das olimpíadas. Quase R$ 3 bilhões devem ser liberados. Após a festa, a conta ainda deve perdurar por algumas décadas.
Apenas a dívida do governo do estado com a União atinge mais de R$ 75 bilhões, ao custo de R$ 6,5 bilhões por ano – ou mais do que o valor gasto com a segurança no estado. O serviço total da dívida, no entanto, atinge R$ 10 bilhões este ano, mais do que os valores de saúde e educação somados. Como resultado, o estado investe menos da metade do que a lei determina em saúde.
O resultado da farra de gastos, porém, não deve se limitar ao próprio estado. Impedido por lei de dar calote na União (caso deixe de repassar a parcela da dívida, a União pode legalmente bloquear as contas do estado e impedir repasses), o governo do estado já aplicou calotes em outras dívidas. A Agência Francesa de Fomento, por exemplo, deixou de receber o que lhe era devido pelo estado ainda em junho deste ano. Para compensar, a União teve de arcar com o prejuízo. Cerca de 90% da divida já foi paga. Pagamentos futuros ainda são incertos.
O calote é parte de uma tragédia anunciada. Em maio deste ano, a agência Fitch já havia rebaixado a nota de crédito do Rio para BB-, ou “mau pagador”.
De fato, a situação do Rio de Janeiro não é alheia aos demais estados e muito menos ao próprio país. Ao longo das últimas duas décadas, governos estaduais têm se convertido a cada dia que passa em pagadores de salários, relegando investimentos. Enquanto o investimento público total no país saltou de 0,8% para 1,1% nos últimos 20 anos, os gastos públicos totais saíram de 25% para 36% – e ao que tudo indica, não deve haver nenhuma reversão deste cenário em um futuro próximo.
Para qualquer turista, o samba, o futebol, as praias, a caipirinha, o Corcovado e o Cristo Redentor são a cara do Brasil. Um olhar mais atento, porém, identificaria que a verdadeira coincidência entre o Brasil e o Rio nesse momento são os seus problemas econômicos. Evitá-los é o grande desafio das próximas décadas a qualquer liderança política que se preze.

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