segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Armadilha para os MILITARES! Idolatrados por parcela da sociedade que os via como os salvadores da pátria, soldados turcos foram pegos em uma grande arapuca.

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O alto estágio de desenvolvimento atual da Turquia se deve a ação dos militares no passado recente. A história da Turquia da maneira que o mundo conhece se inicia praticamente com o fim do império OTOMANO.
A divisão do território do antigo Império Otomano causou enorme insatisfação entre os turcos, que se consideravam prejudicados.
A grande insatisfação gerou um movimento revolucionário nacionalista, o principal líder era o militar Mustafa Kemal Atatürk. Em pouco tempo o movimento uniu a TURQUIA, gerando a independência em 1923.
O primeiro presidente foi o próprio Ataturk que desde o inicio fez modificações no sentido de diminuir a influencia da religião no governo, e isso aproximou seu país do Ocidente. O movimento foi chamado por alguns de “europeização da Turquia”.
Uma das principais mudanças foi retirada do status da SHARIA de servir como base para a construção das normas e leis do país. O general também proibiu o véu, proibiu a poligamia, adotou o calendário ocidental, introduziu novos códigos civil e penal e impôs e Estado laico. A partir de seu governo as mulheres puderam votar e concorrer nas eleições. O acesso das mulheres à escola em todos os níveis também foi garantido.
Como dissemos, Atatürk era um soldado e isso fez com que os militares turcos também se enxergassem como co-responsáveis pela administração e metamorfose realizada em seu país. A sociedade também passou a vê-los assim.
Outra coisa importante, o general teve que impor a força as mudanças. Afinal, lutava contra tradições baseadas no corão. As reformas deram certo e, de certa forma, a partir daí percebe-se que os turcos passaram a considerar com simpatia o autoritarismo e pragmatismo advindo das Forças Armadas, que consideravam os guardiões da estabilidade democrática.
Os turcos viveram nada menos que 4 golpes militares desde a segunda guerra mundial, todos eles foram no sentido de combater o radicalismo religioso que insistia em se infiltrar no estado. Em todas essas ações o nome de Ataturk e sua defesa do secularismo foram invocados.
Quando, em 2002 o partido islâmico conservador AKP venceu as eleições e ganhou o direito de escolher o primeiro-ministro, que foi Recep Tayyip Erdogan, atual presidente do país, começaram a surgir conflitos entre a AKP e os militares.
O AKP pretende a islamizar todo o aparato estatal e leis, os militares se posicionavam contra isso. Contudo, aos poucos os membros das Forças Armadas que simpatizam com a visão do partido de Erdogan, ou pelo menos não se importam com sua visão radical-islâmica, passam a ocupar postos chave na estrutura administrativa militar. Criando um racha dentro das Forças Armadas.
A vitória do partido de Erdogan em 2007, por maioria bastante significativa, foi um baque que enfraqueceu os militares diante da opinião pública. Jornais europeus à época disseram que havia sido um “golpe na tutela militar”.
O atual presidente condena publicamente as ações de Israel contra os palestinos, isso faz sua popularidade crescer mais ainda entre os islamitas do Oriente Médio.
Recentes pesquisas mostram que a popularidade dos militares nos últimos anos estava caindo muito dentro da sociedade turca.
Por uns eram vistos como ameaça e por outros vistos como relutantes, acovardados.
A parcela majoritária da sociedade que simpatiza com o presidente Erdogan e o retorno das leis islâmicas, enxerga os militares como um risco em potencial e luta para que seu poder seja diminuído.
A outra parcela da sociedade, minoritária, que rejeita os posicionamentos do presidente e de seu partido e exorta os militares a agir para impedi-lo, aos poucos percebe a relutância das Forças Armadas e diz que os soldados não são mais como no passado, que se acovardam etc.
Esse grupo enxergava os militares como os salvadores da pátria.
Jornais europeus narraram que na sexta-feira, em meio aos tumultos, algumas pessoas comentavam que era a hora dos militares agir realmente.
Se de fato há na Turquia uma parte significativa da sociedade que apóia a ação dos MILITARES esse grupo não foi para as ruas. O que aconteceu foi o contrário, o presidente Erdogan convocou seus partidários conservadores islâmicos e lotou as praças e avenidas.
“Chamo o povo turco para ocupar as praças públicas e aeroportos. Nunca acreditei que pudesse haver um poder maior do que o poder do povo”, disse Erdogan.
É inequívoco que o chamado “golpe” ocorrido na semana passada – armadilha ou não – serviu para definitivamente revelar quem são os militares laicistas, que se opõem ao governo do AKP.
Ninguém mais duvida de que ocorrerá um verdadeiro expurgo dentro das Forças Armadas.
Será o começo do fim do famoso laicismo turco? Corre a Turquia o risco de se tornar mais um antro de radicais islâmicos?
Revista Sociedade Militar – http://sociedademilitar.com.br
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