segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Enquanto os políticos e membros do Judiciário enchem a boca para falar em Democracia, o povo, com cara de bobo, assiste calado a farra de privilégios vergonhosos


Quem acredita que os interesses do povo prevalecem numa Democracia como a do Brasil, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Segundo o G1, "os cinco partidos que mais receberão recursos do fundo eleitoral neste ano informam que, na distribuição do dinheiro, pretendem priorizar os candidatos atualmente com mandato, o que, na avaliação de especialistas, mais uma vez dificultará a renovação no Congresso Nacional".

Na prática, o que se vê é a manutenção no poder de nomes que se perpetuam nas casas legislativas, nos cargos executivos e asseguram a dobradinha da troca de interesses e privilégios com os membros que ocupam cargos vitalícios no Judiciário em todo o país.

Os partidos são a chave para a manutenção do estado de coisas que vem se desenhando no país ao longo das últimas décadas, onde a maior parte do dinheiro do contribuinte é consumida por uma elite de servidores e políticos com seus altos salários e privilégios inomináveis.

O cidadão comum não tem qualquer chance de se inserir nos centros de tomadas de decisões do país sem passar pelo filtro dos partidos. No Rio de Janeiro, os maiores partidos ofereceram o ex-jogador Romário, que aparece na liderança das pesquisas, Eduardo Paes e Anthony Garotinho . Estas são as principais opções dos eleitores do Estado na escolha do próximo governante.

Sem desmerecer qualquer dos nomes, fica a impressão que em meio a quase 17 milhões de habitantes, o Rio não conseguiu produzir melhores candidatos. Obviamente, há milhares de nomes tão ou mais qualificados para disputar o governo do Rio. O problema é que qualquer cidadão que queira participar do processo de sucessão eleitoral, seja nos cargos executivos ou legislativos,  precisa se submeter ao crivo dos partidos. No Brasil, não há a possibilidade de registro para candidaturas independentes.

Desta forma, os mesmos nomes vão se reelegendo por um número incontável de vezes nas Câmaras de Vereadores, nas Assembleias Legislativas, na Câmara dos Deputados em Brasília, no Senado, nas prefeituras e governos de Estados. São políticos familiarizados com os interesses corporativos que têm primazia sobre o dinheiro do contribuinte, como as categorias organizadas de servidores, os membros do Judiciário, dos Tribunais de Conta, dos Ministérios Públicos estaduais e Federais, enfim.

Apenas no nível federal, os 2,2 milhões de funcionários públicos (inclusive os inativos) custaram R$ 257,8 bilhões aos cofres públicos. Isso significa que 1% da população brasileira abocanhou 20,7% de tudo que a União arrecadou do contribuinte naquele ano. Salários, férias, privilégios e penduricalhos totalmente incompatíveis com a realidade do setor privado. Numa Democracia, todos deve ter direitos iguais. Mas isto definitivamente não ocorre no Brasil, onde a elite do serviço público chega a receber até 7 vezes mais que um trabalhador da iniciativa privada, além dos benefícios, penduricalhos que podem dobrar seus rendimentos, e a garantia de estabilidade no emprego.

Com seus altos salários, privilégios e vantagens como o auxílio-educação para filhos até 24 anos em valores que podem superar os R$ 6 mil mensais, os servidores conseguem preparar seus filhos no melhores concursos para que também ingressem no serviço público.

Desta forma, gerações de políticos e de servidores se sucedem no poder do país e aprovam leis, no Judiciário e Legislativo, que os beneficiam mutuamente e se acumulam há décadas, em detrimento dos interesses e oportunidades dispensadas ao cidadão comum. O filtro para a elite que comanda o país se dá através dos partidos, onde o dono da legenda tem o poder de decidir quais candidatos vão concorrer por seu partido e quais vão receber mais dinheiro do fundo partidário.

Como se não bastasse a regra implícita que assegura a perpetuação no poder de determinada classe política, há ainda as alianças partidárias, onde são comuns os combinados sobre quem deve disputar qual vaga nas alianças entre os partidos. Na dança das cadeiras, ocorre até mesmo a venda de vagas em disputas de cargos de governadores, prefeitos, deputados federais, senadores e até mesmo entre vereadores. Um nome bem aprovado pelo eleitorado pode fazer um ótimo negócio 'abdicando' de sua candidatura em favor de outro nome. Permutas como estas podem garantir a independência financeira de alguns para o resto da vida. Desistir da disputa por uma vaga Senado ou em governo de Estado por uma vaga como deputado pode significar a troca de milhões de um bolso para outro. Enquanto isso, os políticos continuam voltando um cidadão contra o outro. Dividindo, fica mais fácil conquistar.

Já no caso do serviço público, a porta de entrada são os concursos que preparam e conscientizam o cidadão de que ele está disputando carreira vitalícia, com salários gritantemente incompatíveis com o rendimento da maior parte da população e uma vida de privilégios. Munido desta cultura, alguns servidores dedicam suas vidas a conseguir mair privilégios e aumentos salariais para suas categorias.

Pode faltar verba para a Saúde, Segurança e Educação, mas a verba para bancar os altos salários e privilégios dos políticos e das elites do serviço público são garantidos por Lei. Ninguém tasca. Esta é a Democracia do Brasil.

Num artigo publicado pela Gazeta do Povo no ano passado, o economista André Gamerman, da Opus Gestão oferece uma bela perspectiva sobre o que se passa nos bastidores do poder.  "Durante a crise política que avassala Brasília, a Câmara votou e aprovou, na última quinta-feira (25), o texto-base de uma medida provisória (MP 765/16) que autoriza reajuste salarial para diversas categorias de servidores públicos federais — de peritos médicos da Previdência até diplomatas. “Para cada aumento que você dá para um funcionário público, está tirando de outro lugar. É uma disputa do orçamento e eles, em geral, costumam ganhar”, lembrou o economista.

A publicação destacava que "A aprovação dessa MP, que vai reajustar os salários de oito categorias e ainda prevê pagamento de bônus de eficiência, vai impactar o orçamento desde já. As projeções do próprio governo federal é de que os reajustes, que afetam 29 mil servidores da ativa e outros 38 mil aposentados e pensionistas, devem custar R$ 3,7 bilhões já em 2017. Só que os reajustes são escalonados e esses salários continuarão subindo até 2019 — o impacto acumulado até lá deve ser de R$ 11,2 bilhões.

E os salários dos servidores federais já são muito superiores aos dos trabalhadores brasileiros. De acordo com dados do Ministério do Planejamento, em dezembro de 2016, a despesa média de um funcionário na ativa do Executivo federal era de R$ 9,9 mil—a maior média salarial é do Banco Central, com R$ 22,9 mil. Em contrapartida, dados da Pnad do IBGE, mostram que no último trimestre de 2016, a média salarial do trabalhador brasileiro era de R$ 2 mil".

O problema é que, na Democracia do Brasil, os cidadãos, inclusive os mais pobres, são sacrificados por uma altíssima carga tributária para bancar os mais ricos que se arvoraram no poder central. Não são apenas os servidores da ativa que ganham altos salários bancados pelo povo. Entre 2001 e 2015, o governo federal precisou transferir R$ 1,3 trilhão em impostos para cobrir o rombo das aposentadorias de 980 mil servidores federais inativos. Para comparação, no mesmo período o déficit da Previdência geral foi de R$ 936 bilhões, para 29 milhões de aposentados.

Como se não bastassem os altos salários, os privilégios e as aposentadorias que rendem benefícios de até R$ 28 mil aos servidores, o povo ainda paga pensões vitalícias a mais de 50 mil filhas de servidores maiores de 21 anos. Dezenas de bilhões do povo são destinados a solteironas que não se casam para não perderem os benefícios. Pessoas saudáveis, donas de patrimônios elevados, empresárias e em prefeitas condições de se sustentarem.

Quando as autoridades do Brasil se referem ao dinheiro do povo, elas querem dizer que o dinheiro que desfrutam tem origem no suor do povo. Acompanhe abaixo de onde vem o dinheiro que sustenta a elite que domina o país?

Impostos federais

II - Imposto de Importação

IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados

IOF – Imposto sobre Operações Financeiras

IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica

IRPF – Imposto de Renda Pessoa Física

ITR – Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural

COFINS - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social

CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico

CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido

Impostos Estaduais

 ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços

ITCMD – Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação

 IPVA – Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores

Impostos municipais

 ITBI – Imposto sobre Transmissão de Bens Inter Vivos

 ISS – Imposto sobre Serviços

 IPTU Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana

No Brasil, de cada R$ 100,00 gastos por um cidadão, seja ele um empresário, balconista ou catador de latinhas, A União, Estados e Municípios abocanham mais da metade. Isto significa que o cidadão trabalha praticamente 6 meses no ano para pagar impostos. Os gastos previstos por Lei pelos gestores do país consomem mais de 90% do Orçamento da União. A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, calcula que em 2017 a rigidez orçamentária chegou a 93,3% do total de despesas sujeitas à regra do teto de gastos públicos, sobrando uma “margem fiscal” de apenas 6,7% para devolver ao povo sob a forma de novos investimentos em infraestrutura, saúde, educação, etc. Enquanto isso, há países que conseguem devolver ao povo 30%, 40% e até metade do que arrecadam em impostos.

Não é por acaso que o Brasil apresenta uma das piores distribuições de riquezas do mundo. Grupos políticos usam a desculpa de que o Estado deve ser o indutor da economia. Além de distribuir bilhões e facilidades a empresários, banqueiros e grupos econômicos poderosos, os governantes do Brasil reservaram a maior parte do dinheiro dos impostos do contribuinte para uma pequena elite. Com seus altos salários, estes grupos de felizardos mantém aquecida a economia do luxo. Graças ao alto poder aquisitivo, a elite do serviço público consome imóveis caros, roupas de grife, almoçam e jantam nos melhores restaurantes, voam na primeira classe, compram carros de luxo, se hospedam em hotéis cinco estrelas e mantém estes segmentos do mercado aquecidos.

É o Estado funcionando como indutor da economia das elites. Juntos, os políticos e os representantes das elites do serviço público exercem grande influência nos meios de comunicação e agora avançam sobre as Redes Sociais, buscando criminalizar opiniões como as que ilustram esta matéria. A iniciativa de criminalizar Blogs e Redes Sociais, tentando transformar a OPINIÃO DO CIDADÃO em notícia, para depois classificar as OPINIÕES DOS CIDADÃOS como "Fake News", é a mais recente estratégia dos donos do poder para impedir que a sociedade interfira no seu confortável modo de vida.

No que depender dos donos dos partidos e dos servidores indispostos a abrir mão de seus 'privilégios sagrados', tudo continuará na mesma após as eleições de outubro no Brasil. Em 15 de junho, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou quanto cada legenda receberá do fundo eleitoral, de R$ 1,7 bilhão, criado pelo Congresso Nacional e bancado, obviamente, com o dinheiro do povo. A divisão do fundo levou em conta, principalmente, a composição da Câmara e do Senado em agosto de 2017 e também o total de votos de cada legenda nas eleições para deputado federal de 2014. É com este dinheiro, o dinheiro do povo, que os atuais detentores do poder tentarão se perpetuar no poder. Os donos dos partidos, após a formação das alianças partidárias nos estados, escolhem quem serão os candidatos que vão concorrer nas eleições e quais vão receber mais dinheiro para suas campanhas. O resto é fácil. Basta dizer que vão combater a corrupção, e pronto. Estão todos eleitos. 
fonte>>>http://www.imprensaviva.com/
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