terça-feira, 6 de novembro de 2018

Bolsonaro é o primeiro presidente em décadas com chances reais de ser assassinado


O presidente Jair Bolsonaro teve sua vida completamente transformada, após o atendado a faca sofrido na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, durante sua campanha no mês de setembro. O ataque perpetrado por Adélio Bispo de Oliveira, que felizmente não alcançou seu objetivo, modificou a rotina de Bolsonaro de modo permanente. Desde então, o presidente eleito passou a contar com um fortíssimo esquema de segurança para prevenir que outros perturbados atentem contra sua vida. A tendência é a de que Bolsonaro viva sob um forte esquema de segurança mesmo após deixar a Presidência.

O último atendado político de repercussão nacional ocorreu em 1954,com a tentativa de assassinato do jornalista e político Carlos Lacerda, no dia 5 de agosto daquele ano, em frente à sua residência, no número 180 da rua Tonelero, em Copacabana, Rio de Janeiro. O atentado ganhou importância histórica por se constituir o marco da derrocada do presidente da República Getúlio Vargas, levando-o ao suicídio, dezenove dias depois. Lacerda era um dos principais opositores do governo Vargas.

Ao longo de sua carreira política, Bolsonaro fez vários discursos e declarações associadas por muitos à intolerância. Durante a campanha para presidente, o então candidato usou um tripé de câmera para simular um fuzilamento e falou em metralhar adversários.

"Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre. Vamos botar esses picaretas para correr do Acre. Já que gostam tanto da Venezuela, essa turma tem que ir para lá. Só que lá não tem nem mortadela. Vão ter que comer capim mesmo", ressaltou o candidato, que foi ovacionado pelo público, poucos dias antes de sofrer o atentado em Juiz de Fora.

As autoridades temem que, assim como Adélio Bispo de Oliveira, outros fanáticos, intolerantes e desequilibrados atentem contra a vida do presidente. Psicopatas são capazes de guardar mágoas por décadas e o temor de que algum desajustado atente contra a vida de Bolsonaro tornou-se uma preocupação permanente em seu entorno. Além de fanáticos no espectro político ideológico, Bolsonaro também gera descontentamento no mundo do crime, com suas propostas de combate ao crime organizado e a defesa de ações mais enérgicas por parte das forças policiais. Tendo em vista todo este retrospecto e o grande número de desafetos, é possível afirmar que Bolsonaro é o presidente que potencialmente corre os maiores riscos de ser assassinado em toda a história do país. Neste caso, subestimar tais fatos pode ser fatal para a vida do presidente.

Esta semana, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, encomendou à sua equipe um estudo para reforçar a segurança de Jair Bolsonaro e sua família a partir da posse do novo presidente, em 1.º de janeiro. O motivo do pedido, além do atentado sofrido na campanha, são as frequentes ameaças identificadas pela inteligência do governo.

Etchegoyen não fala em números ou estratégias por questões de segurança, mas já avisou que "obviamente" haverá um rigor muito maior no controle a tudo que tem a ver com o presidente eleito. "O esquema que está sendo preparado para receber um presidente que já sofreu um atentado será muito diferente e muito mais severo do que qualquer outro titular do Planalto já viu ou teve", afirmou o general ao jornal O Estado de S. Paulo.

Bolsonaro teve sua segurança reforçada pela Polícia Federal durante a campanha, após ser vítima de uma facada no dia 6 de setembro, em Juiz de Fora (MG). Segundo informações da área de inteligência, as ameaças continuaram mesmo após a eleição. "O GSI não comenta detalhes de sua responsabilidade com a segurança presidencial, mas confirma que existem ameaças que efetivamente preocupam", disse o ministro.

A segurança de Bolsonaro após a posse será chefiada pelo general Luiz Fernando Estorilho Baganha. Ele assumirá o cargo no lugar do general Nilton Moreno, que hoje está à frente da montagem da estrutura de proteção ao presidente eleito.

Durante a campanha, o candidato foi avisado que corria risco. Aliados, inclusive, citaram as ameaças como justificativa para que Bolsonaro não participasse dos debates eleitorais na reta final. Anunciado como futuro ministro da Defesa, o general da reserva Augusto Heleno chegou a divulgar um vídeo na véspera da eleição com o alerta para uma "real ameaça de atentado terrorista" contra Bolsonaro, articulada por uma "organização criminosa".

Na semana passada, com Bolsonaro já eleito, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a PF se reuniram para discutir o novo esquema reforçado que irá vigorar durante o governo de transição Atualmente, uma equipe de 55 homens da PF se revezam na proteção ao presidente eleito. A informação é de que as ameaças partiram de diferentes fontes, inclusive de facções criminosas como PCC e Comando Vermelho e, segundo o Estado apurou, existem escutas telefônicas das ameaças que estão sendo investigadas.

A ideia é adotar no Brasil algumas das medidas usadas para proteger os presidentes norte-americanos, em que os cuidados com segurança chegam a níveis máximos.

As tradicionais entrevistas nas quais o presidente fica rodeado por repórteres, por exemplo - chamadas de quebra-queixo no jargão jornalístico -, devem acabar. Os preparativos de viagens e contato com o público também serão repensados. Em entrevista à Rede Vida, na quinta-feira, o presidente eleito afirmou que vai seguir "rigorosamente" as recomendações da área de inteligência na posse.

Troca na guarda

A PF ficará com Bolsonaro até 31 de dezembro. A equipe do GSI, formada em parte por militares do Exército, será reforçada para assumir a função na virada do ano. Caso haja alguma solicitação, há a possibilidade de que a "passagem de bastão" seja antecipada Mais de 800 pessoas trabalham neste setor.

A segurança será ampliada não só pelas ameaças, mas também pela quantidade de pessoas a serem protegidas. Bolsonaro é casado e tem cinco filhos. Todos têm direito à segurança da Presidência.

Além disso, serão montados escritórios no Rio de Janeiro para dar infraestrutura à família tanto de Bolsonaro quanto do seu vice, general Hamilton Mourão, que têm casa na capital fluminense.

Com informações de O Dia
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