sábado, 8 de dezembro de 2018

A casa caiu ou não caiu para os Bolsonaros? Movimentação de amigo do presidente sugere contabilidade de repasses de salários de servidores



O governo de Jair Bolsonaro ainda nem começou, e o Brasil experimenta a sensação amarga de que mais uma vez a população terá que conviver com suspeitas incômodas sobre a conduta pregressa do presidente eleito e de seus familiares.

Informações compartilhadas pelo Coaf com o Ministério Público Federal no âmbito da Operação Furna da Onça. O órgão de controle monitorou movimentações financeiras suspeitas de assessores de 22 parlamentares da Alerj. Entre eles estava o ex-policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, amigo de Bolsonaro desde 1984 e colaborador de seu filho, o deputado Flávio Bolsonaro.

A Operação Furna da Onça levou à prisão dez deputados estaduais do Rio e revelou que a Alerj mais parecia uma organização criminosa. Cerca de 80 servidores tiveram suas contas bancárias esmiuçadas pelo Coaf, a pedido da Polícia Federal. 22 caíram no pente fino.

Políticos costumam lotar seus gabinetes de assessores para ficar com parte de seus salários. A situação é mais comum que muitos imaginam e ocorre na maior parte do país nas Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e no Congresso.Assim como a arrecadação de parte dos salários de assessores, a prática de caixa 2 é vista como algo normal pela classe política. Há no governo Bolsonaro membros do alto escalão que confessaram a prática de caixa 2.

O caso envolvendo o assessor do senador eleito Flavio Bolsonaro sugere o mesmo cenário. O Coaf identificou que nada menos que sete de seus assessores fizeram depósitos em uma conta administrada pelo PM amigo de seu pai, Fabrício José Carlos de Queiroz. O próprio Queiroz, que tinha a mulher e duas filhas empregadas nos gabinetes de Flávio e de Jair Bolsonaro, também fez depósitos nesta conta no valor de R$ 94 mil.

A pedido da Polícia Federal, o  Coaf alertou ao Ministério Público Federal (MPF) que Queiroz, durante apenas um ano, fez movimentações suspeitas de mais de R$ 1,2 milhão nesta conta. Novamente, o cenário sugere que o amigo do presidente mantinha uma conta para administrar parte dos salários dos servidores que atuavam no gabinete de Flávio Bolsonaro. Este dinheiro poderia ser repassado de forma discreta aos destinatários dos recursos, em valores inferiores a R$ 10 mil para não chamar a atenção da Receita Federal, ou em dinheiro vivo. O Coaf identificou que Queiroz sacou mais de R$ 300 mil em espécie, a maior parte, em um caixa eletrônico dentro da própria Alerj.

Ao explicar o fato do Coaf ter identificado repasse de R$ 24 mil à mulher de Bolsonaso, Michele Bolsonaro, o presidente eleito afirmou que Queiroz lhe devia R$ 40 mil e que teria feito na verdade dez repasses de R$ 4 mil cada à sua mulher Michele. Bolsonaro declarou que preferiu receber a conta por meio da mulher por não ter tempo de ir ao banco e admitiu que não declarou a entrada dos recursos no imposto de renda.

A versão de Bolconaro esbarra em uma série de suspeitas. É difícil supor alguém que movimenta mais de um milhão de reais em apenas um ano precisaria quitar uma dívida de R$ 40 mil em dez parcelas.

Segundo o Coaf as movimentações são suspeitas por três razões:

1) “pagamentos habituais a fornecedores ou beneficiários que não apresentam ligação com a atividade ou ramo de negócio da pessoa jurídica”;

2) “movimentações em espécie realizadas por clientes cujas atividades possuem como característica a utilização de outros instrumentos de transferência de recursos, tais como cheques, cartões de débito ou crédito”; e

3) “movimentação de recursos incompatível com o patrimônio, a atividade econômica ou a ocupação profissional e a capacidade financeira do cliente”

Todo este cenário sugere que Queiroz administrava parte dos salários dos servidores à serviço de Flávio Bolsonaro, inclusive parte dos salários da própria família, e repassava aos 'credores' através de pequenos valores para não chamar a atenção das autoridades.

O caso veio à tona na quinta-feira. Desde então, Bolsonaro e seus filhos não prestaram qualquer informação clara. Todas as declarações apontam para Queiroz, que sumiu, assim como sua mulher e as filhas. A família de Bolsonaro, famosa por utilizar as Redes Sociais com frequência durante a campanha e após a vitória, inclusive para anunciar ministros de Estado, não usou o Twitter desta vez para esclarecer o assunto. O senador eleito Flavio Bolsonaro teria abandonado grupos no WhatsApp para evitar cobranças. Mais de 40 horas se passaram até que Bolsonaro apresentasse a primeira versão sobre o dinheiro repassado para sua mulher. Caberia ao presidente Bolsonaro e seus familiares convocarem Queiroz para explicar ao Brasil toda esta situação e a movimentação de tanto dinheiro em suas contas.

Parte dos apoiadores de Bolsonaro passaram o final de semana atacando o Coaf, o mesmo órgão que identificou dezenas de irregularidades nas movimentações financeiras de gente como o ex-presidente Lula, seu filho Luis Claudio, Antonio Palocci e outros investigados à pedido da Polícia Federal que, graças à estas informações, se tornaram alvos de processos na Justiça.

O problema é que este episódio já manchou a imagem de Bolsonaro e de seus familiares. Ninguém parece disposto a buscar o tal do Queiroz para, numa entrevista coletiva, prestar maiores esclarecimentos à população. A situação caminhou para o famoso jogo de empurra e agora dizem que é o Queiroz que está sendo investigado e que caberá a ele prestar esclarecimentos às autoridades. Fica a sensação de que a casa caiu, mas vamos fingir que está tudo bem. De qualquer forma, o governo de Bolsonaro já se inicia cercado de suspeições.

Segundo o site O Antagonista, a questão é simples: trata-se de saber se Fabrício Queiroz coletava dinheiro de assessores parlamentares da família Bolsonaro e o repassava a quem os empregava. São justamente estes fatos que a família de Bolsonaro parece não estar preparada para esclarecer. Segundo a publicação, "É essencial que Jair Bolsonaro e seu filho Flávio deem uma explicação convincente sobre o episódio. Para tanto, Queiroz deve vir logo a público para tentar esclarecer como é que conseguiu movimentar 1,2 milhão de reais com um salário de motorista" Toda esta grana foi dissolvida em cerca de 170 saques. De onde veio e para onde foi tanto dinheiro?

fonte:https://www.imprensaviva.com/
Postar um comentário

Atenção

* A Revista Esperançanossa- não formula notícias, artigos ou vídeos, salvo quando os mesmos são citados como criação própria. Todas as nossas publicações são reproduções fiéis de sites de terceiros. Sendo assim, o conteúdo e/ou opiniões expressas nos textos publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores, cujas informações estão contidas nos links da fonte, e não refletem, necessariamente, a opinião da Revista Esperançanossa

Comentarios