quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Desembargador Gebran Neto, do TRF-4, escancara hipocrisia e diz que recusa de procuradores sobre acordo com Palocci é preocupante



O desembargador João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, fez uma observação bastante desconcertante em relação ao comportamento do Ministério Público Federal na Lava Jato no episódio envolvendo a negativa em firmar um acordo de delação com o ex-ministro Antonio Palocci.

O que pode parecer surpreendente para um observador mais atento é de fato muito embaraçoso neste caso. Como supor que, em meio à maior operação contra a corrupção do mundo, integrantes do MPF recusariam celebrar um acordo com o primeiro membro do núcleo duro do PT a se dispor a revelar o que sabia? Palocci fundador do partia, 3.ª na hierarquia partidária, esteve no olho do furacão da maioria dos crimes investigados pela Lava Jato, perpassou os governos de Lula e Dilma com cargos no alto escalão, intermediou negociatas com praticamente todos os investigados pela força tarefa do MPF e teve seu acordo de delação recusado?

De acordo com a Folha,  desembargador João Pedro Gebran afirmou que "A recusa do MPF (Ministério Público Federal) em firmar acordo de colaboração com Antônio Palocci é considerada “preocupante”". A observação consta no voto em que desembargador concedeu liberdade ao ex-ministro, na semana passada.

A reportagem lembra que, diante da recusa do MPF em firmar o acordo, Palocci teve que recorrer à Polícia Federal para detalhar o que estava disposto a revelar sobre sua vida no PT e nos negócios de Lula e Dilma. A PF firmou o acordo, que posteriormente foi homologado pelo próprio Gebran Neto.

Ainda de acordo com a publicação da Folha, "Um dos procuradores, Carlos Fernando dos Santos Lima, chegou a classificar a proposta de colaboração de Palocci de “acordo do fim da picada”: ele não teria contado nada de novo nem apresentava “provas suficientes” do que dizia".

Neste ponto, o desembargador Gebran Neto levanta outra contradição, observando que, mesmo se opondo, o MPF acabou pedindo redução de pena para Palocci, o que revelaria “a anuência, ainda que tácita, com os termos” da delação.

Esta semana, foi confirmada a informação de que o ex-ministro Antonio Palocci fez uma segunda delação. Ao que tudo indica, trata-se de material ainda mais explosivo. Apenas nesta segunda delação, Palocci teria feito nada menos que 23 depoimentos. O novo acordo já foi inclusive homologado pelo relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.

De todo modo, as declarações de Gebran Neto sobre a recusa do MPF em firmar o acordo com Palocci é muito preocupante. Curiosamente, na mesma semana em que o ex-ministro teve seu segundo acordo de delação homologado no STF, a ex-presidente Dilma Rousseff se tornou ré na Justiça de Brasília, acusada de integrar uma organização criminosa comandada pelo ex-presidente Lula que teria causado prejuízos bilionários à Petrobras, BNDES e Ministério do Planejamento.

A questão levantada pelo desembargador do TRF-4, o Tribunal da Lava Jato na Segunda instância, é bastante embaraçosa para os membros do Ministério Público Federal, instituição que já teve sua reputação manchada no controverso acordo com os donos da JBS, envolvidos até o pescoço nas falcatruas com os governos do PT de Lula e Dilma.
fonte:https://www.imprensaviva.com/
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