quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Relatório mostra que Venezuela torturou militares por ‘conspirarem contra o governo’; leia relatos

Além de militares, civis também estariam sendo torturados por forças do governo de Nicolás Maduro
Na Venezuela, forças de segurança prenderam e torturaram militares que estariam “conspirando” contra o governo de Nicolás Maduro. Ao todo, 32 casos desse tipo foram identificados pela Human Rights Watch e a organização não-governamental venezuelana Foro Penal. Os dados estão em um relatório divulgado nesta quarta-feira (9).
O texto mostra que agentes submeterem diversos detidos a abusos físicos e psicológicos. As torturas relatadas incluem espancamentos, asfixia, choques elétricos, privação de comida e cortes feitos com lâminas nas solas dos pés. Além disso, os suspeitos de “conspiração” sofriam ameaças de morte e eram proibidos de usar o banheiro.
De acordo com os dois organismos de defesa dos direitos humanos, familiares desses militares também foram detidos e submetidos a torturas, em tentativa de forçá-los a identificar a localização dos reais suspeitos. Esses abusos teriam sido cometidos pelo Serviço Bolivariano de Inteligência e o Diretório de Contra-Inteligência Militar.
Fora a tortura, os detidos foram privados do contato com advogados por vários dias e não tiveram acesso a tratamento médico adequado. “A Venezuela tem reprimido brutalmente membros das forças armadas acusados de conspirar contra o governo”, acusou José Miguel Vivanco, diretor da Human Rights Watch nas Américas.

Tratamento desumano

Entre as 32 vítimas, estão oficiais de diversos escalões militares acusados de conspirar contra o governo e civis acusados de colaborar com Oscar Pérez, um policial que foi assassinado no começo do ano passado, após fazer oposição a Nicolás Maduro. Inspetor da Polícia Científica, Pérez comandou uma rebelião contra o chavista.
De acordo com o relatório, esses oficiais seriam acusados de “traição” e “instigar rebelião”. Advogados alegam que “acusações foram fabricadas” e sem provas. A metodologia de tortura foi identificada em pesquisas das duas entidades feitas a partir de 2014 e vem sendo documentada. O governo venezuelano não se manifestou.

Números

Maduro assumiu o governo em 2013. Até agora, 380 casos de “tratamento cruel, desumano ou degradante contra opositores” foram registrados pela Human Rights Watch, sendo que aproximadamente 30 foram elencados como tortura. Segundo a Foro Penal, 15% dos presos por motivos políticos relatam maus-tratos.
Cerca de 12,8 mil pessoas foram detidas por protestos contra o presidente, que assume este ano um novo mandato – questionado em todo o mundo. “A impunidade por crimes de direitos humanos na Venezuela é deliberada”, disse Gonzalo Himiob Santomé, diretor do Foro Penal, em nota. Para ele, é preciso responsabilizar o governo “no exterior”.

Confira alguns relatos

• O cirurgião José Alberto Marulanda Bedoya, de 53 anos, informou no relatório que foi preso em maio de 2018, acusado de levar equipamentos de telecomunicação da Colômbia para a Venezuela. Com isso, ele estaria instigando rebelião por discutir “planos de conspiração contra o governo ” em encontro no país vizinho. Segundo ele, agentes o “espancaram brutalmente no estômago e nas costas, tentaram asfixiá-lo com uma sacola plástica, usaram uma barra de metal para bater na sola dos pés, e o forçaram a usar algemas apertadas, fazendo-o perder a sensibilidade nas mãos.” A violência foi tão grave que ele perdeu a audição no ouvido direito. Em decorrência disso, ele tem dificuldade para dormir e passou a sofrer com pensamentos suicidas e hipertensão. Bedoya estaria relacionado ao general García Palomo, investigado por conspiração.
• A estudante de medicina Ariana Ganadillo Roca, de 21 anos, foi presa em fevereiro do ano passado. Ela morava em uma casa de Palomo, de quem seria parente. Na detenção, policiais prenderam pastas na cabeça dela, para bloquear a visão, “bateram nela e tocaram em várias partes de seu corpo”. Ela foi solta e, em maio, agentes foram até a casa de Ariana, colocaram uma sacola na cabeça dela, amarraram mãos e seguraram pés para tentar obrigá-la a revelar o paradeiro do general. “Quando disse que não tinha nenhuma informação para fornecer, eles seguraram uma sacola sobre sua cabeça até ela quase perder a consciência.”
• Luis Alejandro Mogollón Velázquez, de 32 anos, foi preso na base militar de Fuerte Tiuna, na capital Caracas, onde trabalhava. Investigadores procuravam uma pessoa com outro nome, mas o levaram à cadeia mesmo assim. Segundo relatou, os agentes o mantiveram “algemado a uma cadeira por nove dias”, o espancaram “brutalmente na cabeça e no corpo” e o penduraram “no teto por suas mãos e pés”. Levado a um tribunal militar sem provas – segundo defensores – ele teve audiência adiada 26 vezes.
FONTE:https://jovempan.uol.com.br/
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