sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Colunista da Folha compara cristãos a terroristas; Feliciano reage aos “demônios da intriga”

A dicotomia corrente na sociedade brasileira entre direita versus esquerda, conservadorismo versus progressismo, tem motivado a revelação de preconceitos que, antes, eram mantidos internos por grande parte dos protagonistas da grande mídia, sejam jornalistas, comentaristas ou especialistas nos mais diversos assuntos. O mais recente a se revelar foi o ateu e jornalista Hélio Schwartsman, colunista do jornal Folha de S. Paulo, que comparou cristãos a terroristas muçulmanos.
Schwartsman publicou um artigo intitulado “Trevas Cristãs” afirmando que o slogan da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PSL), “Deus acima de todos”, é uma síntese que “deveria provocar calafrios em todas as pessoas historicamente alfabetizadas, sejam elas religiosas ou não”.
No artigo fica evidente que Schwartsman fala, implicitamente, de uma guerra cultural em curso no país, pois segundo o jornalista, o conceito por trás da frase usada por Bolsonaro remete a guerras ocorridas séculos atrás – com protagonismo da Igreja Católica – quando as culturas vigentes foram suplantadas pelos usos e costumes cristãos.
“Como a maioria dos brasileiros votou em Jair Bolsonaro conhecendo seu lema, parece lícito concluir que ou a maioria das pessoas é masoquista ou não é historicamente alfabetizada”, diz o jornalista, que em seguida se vale de ironia para rebater a compreensão de que há doutrinação nas escolas públicas do país: “Nesta última hipótese, nossos professores de história, todos eles esquerdistas, fracassaram miseravelmente em mostrar para seus alunos os crimes cometidos em nome de Deus”.
A sugestão da leitura do livro The Darkening Age (“A idade das trevas), de Catherine Nixey, é feita de forma a reforçar sua visão de que os cristãos, maioria no Brasil há séculos, são uma espécie de célula terrorista adormecida: “A tese central do livro é simples. O cristianismo triunfou na Europa e cercanias destruindo o mundo clássico que o precedeu. O ‘destruir’ deve ser interpretado literalmente, para incluir a pilhagem de templos, vandalização de estátuas, queima de livros e, é claro, tortura e assassinato de adversários”, pontua.
Hélio Schwartsman acrescenta ainda que a autora aponta que “apenas 10% da literatura clássica tenha sobrevivido até a Idade Moderna” no que se refere à Europa como um todo. “Se considerarmos só os latinos, o quadro é ainda pior. Só 1% do que foi escrito por romanos não cristãos foi preservado. Santos das Igrejas Católica e Ortodoxa, como João Crisóstomo, gabavam-se de ter feito desaparecer toda uma cultura”, critica.
“O que mais perturba na leitura de The Darkening Age é a total semelhança entre o que fizeram os cristãos dos anos 300, 400 e 500 o que fazem hoje membros do Taleban e do Estado Islâmico. A intolerância que militantes religiosos radicais mostram para com outros credos, os assassinatos praticados com requintes de crueldade e a insana ‘certeza’ de estar obedecendo a comandos de um ente supremo infalível revelam quão perigoso é pôr Deus acima de tudo”, finaliza o colunista da Folha.

Resposta

O pastor Marco Feliciano reagiu ao artigo de Hélio Schwartsman e disse que apesar de ser ateu, o jornalista é alguém inteligente, mas que se mostra ignorante no que se refere à religião. “Ele cita fatos históricos, que são desconhecidos, que são discutíveis e extemporâneos, para justificar um ataque gratuito à capacidade de opinar de 65 milhões de brasileiros que votaram em Bolsonaro. […] Não poderia ser mais nefasto e vil a comparação que ele tenta fazer entre as manifestações religiosas aqui no Brasil em defesa das tradições judaico-cristãs com o radicalismo do talibã e do Estado Islâmico”, rebateu.
Feliciano teceu críticas ainda à direção da Folha, que adotou uma postura distante da isenção, segundo ele, para estimular uma espécie de “terceiro turno das eleições presidenciais”, vencidas em 2018 por Bolsonaro, e sugeriu aos cristãos que leem o jornal a reagirem a esse tipo de ataque.
“A Folha abandonou as tradições dos seus fundadores e, pelo vil metal, tornou-se [como] jornalecos vendidos à esquerda militante, que se traveste de democrata. Eu peço a Deus que nos livre dos demônios da intriga e contenda entre os irmãos brasileiros. Que tenhamos um período de paz e de muita prosperidade”, finalizou o pastor.
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