quarta-feira, 26 de junho de 2019

Polícia de SP prende quatro lideranças de movimentos sem-teto por suspeita de extorsão Investigação que apura cobrança de aluguéis em ocupações do Centro de SP

Em chamas, prédio desabou na madrugada de 1º de maio de 2018 no Centro de São Paulo Foto: HANDOUT / AFP
SÃO PAULO - A Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta segunda-feira, por suspeita de extorsão, quatro líderes de movimentos sem-teto na capital paulista. Ao todo, foram expedidos nove mandados de prisão. Cinco pessoas ainda não foram encontradas e serão consideradas foragidas, caso não se entreguem até terça-feira.
O inquérito teve início após a queda de um prédio de 24 andares que deixou sete mortos após um incêndio no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo, em maio do ano passado. A investigação começou em meio a suspeita de cobrança de aluguel para morar no edifício que desabou e acabou ampliada para outras ocupações na capital. 
Titular da delegacia de crimes financeiros e econômicos, André Figueiredo, disse que o inquérito se baseia em denúncias de extorsão feitas em carta anônimas por moradores do edifício que desabou. Afirmou ainda que interceptações telefônicas e relatos de 13 testemunhas apontam que moradores das ocupações pagavam entre R$ 200 e R$ 400, sem que houvesse benfeitorias nos locais. Figueiredo afirmou que aqueles que não arcavam com os custos sofriam ameaças das lideranças que estão entre os alvos da ação.
 — Obrigavam as pessoas a pagar. Quem não pagava era ameaçado  —  diz Figueiredo.
Entre os presos estão Edinalva Silva Pereira, do movimento Moradia Para Todos; Sidney Ferreira da Silva, do Movimento dos Sem Teto do Centro; Angélica dos Santos Lima, Movimento de Moradia Para Todos; e Janice "Preta" Ferreira da Silva, do Movimento dos Sem Teto do Centro.
Preta se apresenta como militante pela libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e atua como apresentadora do "Boletim Lula Livre",  que é uma espécie de noticiário semanal exibido no site do Partido dos Trabalhadores (PT).

Movimentos criticam ação policial

Em nota, o Comitê Lula Livre criticou o que classificou como "criminalização dos movimentos sociais" e lamentou a prisão de Preta Ferreira.
Os movimentos Frente de Luta por Moradia (FLM), União dos Movimentos de Moradias (UMM) e Central de Movimentos Populares (CMP) divulgaram nota em repúdio às prisões. 
 — Essas lideranças são conhecidas, têm endereço, local de atuação, era só serem convocadas para prestar depoimento. Ninguém se negou a prestar depoimento. São arbitrárias. Não tem elementos para prisão temporária  — afirmou Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares (CMP).
Com relação especificamente à prisão de Preta e Carmen, Bonfim disse que as acusações foram feitas por pessoas excluídas do movimento. Também afirmou que Carmen foi absolvida pela Justiça recentemente por uma acusação semelhante.
 — São pessoas que infringiram as regras do movimento e por isso foram excluídas. Ela se  sentiram chateadas e fizeram denúncia fizeram denúncia dizendo que a liderança cobrava taxa abusiva, não fazia prestação de contas.

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