quinta-feira, 4 de julho de 2019

Atividade física é necessária para evitar deformações da chikungunya, mas com moderação

Passadas as dores articulares agudas e febre, é importante retomar as atividades físicas para melhorar o quadro e evitar agravos da chikungunya — Foto: Pexels
A chikungunya ou chicungunha, infecção viral transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, tem sintomas semelhantes aos da dengue e da zika, como febre, dor de cabeça, erupções cutâneas e dores musculares, mas se destaca das outras pelas dores incapacitantes nas articulações. O quadro pode evoluir para inflamações nas articulações, conjuntivite e, em casos mais raros e graves, morte. Passada a fase aguda da doença, inicia-se a crônica: boa parte das pessoas que contraem o vírus da chikungunya ainda sofre com as sequelas por um bom tempo mesmo depois de curada, já que as dores articulares muitas vezes se estendem por semanas ou até mesmo meses. Embora pareça muito difícil fazer qualquer exercício mesmo depois de restabelecido da doença, por causa da dor, é importante retomar a rotina de atividades físicas assim que passar a fase aguda da doença. Os exercícios ajudam a evitar mais danos para a musculatura e as articulações.

Durante a fase aguda da doença, que inclui febre e dores atriculares incapacitantes, é necessário que se faça repouso absoluto. Segue-se para a fase subaguda, ainda com dores intensas, que pode durar até três meses e que deve ser avaliada caso a caso, com acompanhamento médico para definir se ainda se exige descanso. Segundo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, nas primeiras 19 semanas do ano houve 39.924 casos de chikungunya, com oito mortes até 11 de maio. Para mais de 30% dessas pessoas, o sofrimento não para após os períodos agudo e subagudo. As dores continuam e instala-se a fase crônica. Médica e diretora científica da Sociedade Paulista de Reumatologia (SPR), Karina Bonfiglioli comenta que a doença provoca um quadro de artrite intensa que pode se prolongar por seis meses e, em casos mais raros, um ano ou mais. Porém, se a pessoa já não apresenta mais febre e dores agudas, a médica recomenda retomar os exercícios.– A atividade vai contribuir para a melhora do paciente. Quanto mais tempo de inatividade, maior o risco de atrofia e de perda do condicionamento que se tinha antes – enfatiza, destacando ser importante retomar o fortalecimento muscular, ainda que com cargas mais baixas e menor intensidade.
Vencer o desânimo acarretado pelas dores constantes nem sempre é fácil. No entanto, a pessoa deve começar a praticar exercícios para evitar um agravamento de suas condições.
– A imobilização pode causar perda de massa muscular e vira um círculo vicioso: cria-se uma instabilidade articular e isso predispõe a outras lesões e piora da dor – explica.

Dicas para retomar os exercícios

Segundo a reumatologista, não há contraindicação para a prática de atividades físicas. O que não se pode é retomar o ritmo anterior à doença ou fazer exercícios que impactem nas articulações. Ela sugere que se a pessoa tem o hábito de correr longas distâncias, deve fazer caminhadas e corridas leves nesse recomeço. Se faz musculação, deve começar com cargas mais baixas até retomar o condicionamento que tinha antes. E assim por diante. Karina deixa três dicas simples:
  1. Respeite o limite da dor. Se perceber que elas estão aumentando durante a atividade, pare;
  2. Recomece devagar, com cargas menores e menos intensidade, e aumente o volume dos exercícios conforme a dor for diminuindo;
  3. Opte por exercícios de menor impacto, como pedaladas e caminhadas leves. Atividades na água, como natação e hidroginástica, também são indicadas, uma vez que provocam menos impactos sobre as articulações.
Atividades como ciclismo e caminhadas leves são indicadas por causarem menos impactos nas articulações — Foto: PexelsAtividades como ciclismo e caminhadas leves são indicadas por causarem menos impactos nas articulações — Foto: PexelsAtividades como ciclismo e caminhadas leves são indicadas por causarem menos impactos nas articulações — Foto: Pexels
A professora de Educação Física e personal trainer Elen Rocha já teve contato com alunos curados chikungunya. Mesmo ainda apresentando dores, ela comenta que é possível retornar às atividades.
– A maioria relata que, fazendo exercícios, se sente pelo menos mais disposta. Não com menos dor, mas pelo menos com mais ânimo e vigor – conta.
Especialista em pilates, Rocha indica essa atividade, em função do baixo impacto sobre as articulações. Porém, o mais importante, segundo ela, é retomar a atividade praticada antes da doença, desde que não sobrecarregue as articulações.
– O ideal é a pessoa voltar a algo que ela goste. Assim, de certa forma, já vai ser mais prazeroso e mais motivador. Por exemplo, quem fazia musculação, apesar de não conseguir levantar o mesmo peso, logicamente, acaba se motivando para tentar recuperar a forma física – pondera.
No que diz respeito à periodicidade, a personal trainer fala que depende de cada pessoa. Para quem praticava atividades físicas todos os dias, o ideal é manter uma frequência de três vezes por semana e, com o tempo, ir progredindo até a rotina anterior à chikungunya. Já quem fazia atividades até duas vezes por semana, vale retornar nesse ritmo. Além disso, é importante considerar o foco da dor.
– Muitos alunos apresentam dores nos punhos. Então, alguns exercícios a gente adapta para mão aberta, para não precisar fazer a força dos flexores dos dedos – exemplifica.
Rocha faz um alerta para pessoas que, na musculação, treinavam em nível avançado antes da chikungunya. Ela reforça que é importante reduzir a intensidade dos treinos, como se fosse um aluno intermediário ou até mesmo iniciante. A personal trainer lembra que, mais importante do que recuperar o condicionamento físico que se tinha anteriormente, é sentir-se bem e ter qualidade de vida.
– Retorne com calma. Procure recuperar principalmente a parte funcional, que a gente usa para o dia a dia. O objetivo tem que ser conseguir subir uma escada ou sentar e levantar sem sentir dor. A musculação e os exercícios funcionais ajudam nisso também – completa.
O ideal é que se mantenha um acompanhamento médico mesmo após a fase aguda da chikungunya  — Foto: iStock Getty ImagesO ideal é que se mantenha um acompanhamento médico mesmo após a fase aguda da chikungunya  — Foto: iStock Getty ImagesO ideal é que se mantenha um acompanhamento médico mesmo após a fase aguda da chikungunya — Foto: iStock Getty Images

Cuidados adicionais

Karina Bonfiglioli chama a atenção para o caso de pessoas que passam muitas horas sentadas ou em pé. Ela diz que os pacientes se recuperando da chikungunya devem evitar ficar muito tempo na mesma posição.
– Cuidado com as posturas viciosas. Procure se movimentar e se alongar. Essas também são medidas para prevenir a dor – afirma a reumatologista.
Bonfiglioli acrescenta que é necessário manter um acompanhamento com o médico mesmo após a ausência de febre e o fim das dores nas articulações. Segundo ela, muitas pessoas acham que estão curadas da chikungunya, mas, em alguns casos, a doença não regrediu completamente, podendo voltar.
– Mantenha um acompanhamento com o médico que fez o diagnóstico e o tratamento para uma avaliação. Muitas vezes a medicação pode ser necessária por um período mais longo. É muito importante fazer esse retorno para avaliação - encerra.
A eliminação dos criadouros continua a ser a principal medida preventiva contra a proliferação do mosquito aedes aegypti, que transmite os vírus da chikungunya, dengue e zica  — Foto: DivulgaçãoA eliminação dos criadouros continua a ser a principal medida preventiva contra a proliferação do mosquito aedes aegypti, que transmite os vírus da chikungunya, dengue e zica  — Foto: DivulgaçãoA eliminação dos criadouros continua a ser a principal medida preventiva contra a proliferação do mosquito aedes aegypti, que transmite os vírus da chikungunya, dengue e zica — Foto: Divulgação

Combate ao Aedes

E para evitar que a chikungunya, a zika ou a dengue cheguem perto de você, a estratégia é não permitir que o mosquito, cuja larva se desenvolve em água parada, procrie:
  • Não deixe água parada acumulada em potes, vasos de plantas, pneus, pratos, poças, garrafas e utensílios, por menores que sejam. Uma tampinha de refrigerante com água parada já é o suficiente para formar um criadouro;
  • Deixe as caixas d'água, poços, cacimbas, tambores de água ou tonéis, cisternas, jarras e filtros sempre tapados;
  • Coloque areia até a borda dos pratinhos de plantas e não deixe água acumulada nas folhas;
  • Mantenha a tampa do vaso sanitário fechada;
  • Mantenha a água da piscina tratada com cloro;
  • Não jogue lixo na rua e em terrenos baldios, construções e praças.
  • FONTE:https://globoesporte.globo.com
  • PROCURE SEU MEDICO ELE E A PESSOA CERTA PARA DIAGNÓSTICA SUA DOENÇA

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