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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Ministro do STF concede habeas corpus para casal acusado de matar grávida em ritual satânico



Casal acusado de matar jovem para receber seguro de R$ 260 mil está preso em Mongaguá (SP) — Foto: Arquivo Pessoal

O ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu habeas corpus para o casal Sergio Ricardo Mota, de 47 anos, e Simone Koszegi, de 41, apontados como autores do homicídio contra a técnica em segurança Atyla Arruda Barbosa, de 20. O crime aconteceu em julho de 2018 e, desde então, ambos estavam presos em regime fechado. O casal, que vai a júri popular, aguardará o julgamento em liberdade.
O crime ganhou grande repercussão devido aos desdobramentos do caso. A jovem, primeiro, foi dada como morta por afogamento, em julho, em uma praia de Mongaguá. Depois, a Polícia Civil descobriu que o casal tentava sacar um seguro de vida de R$ 260 mil em nome da garota, que estava grávida e foi assassinada.
Atyla morava com Simone e Sérgio em Itanhaém, para onde tinha ido com a promessa de um emprego em uma transportadora mantida pelos dois na cidade. Ao longo das investigações, foi descoberto que Sergio e Simone faziam parte de uma seita satânica onde "adoravam Lúcifer". Segundo testemunhas, a vítima foi morta durante um ritual.
O que se sabe:
Corpo da jovem foi encontrado em uma praia de Mongaguá no dia 3 de julho.
Patrões da jovem se apresentaram como padrinhos da vítima na delegacia.
Empresa procurou a polícia e afirmou que a jovem tinha um seguro no valor de R$ 260 mil.
Investigadores acreditam que Atyla foi morta propositalmente.
Investigação chegou ao casal, patrões de Atyla, e concluiu que os dois mataram a jovem.
Casal foi preso em casa e caderno com rascunhos do que seria dito à polícia foi achado.
Atyla estava grávida do próprio patrão.
Objetos ligados à magia negra e satanismo foram encontrados na casa do casal.
Principal suspeita da polícia é que Atyla tenha desistido de participar da seita.
IML constatou que havia substância incomum na boca de Atyla.

A decisão do ministro Marco Aurélio foi confirmada pelo G1 neste sábado (15). De acordo com o documento, os réus não têm antecedentes criminais, possuem residência fixa e ocupação lícita, o que permite, segundo a decisão, que eles esperem o julgamento em liberdade.
O casal já informou à Justiça que não voltará para a casa em Itanhaém por questões de segurança, devido à comoção social do caso. Eles deverão ficar em casas de familiares onde aguardarão ao julgamento, que ainda não tem data marcada.
O casal estava preso desde 17 de agosto, após o pedido de prisão preventiva ser acatado pela Justiça. Desde então, a defesa deles solicitou o pedido de liberdade provisória, que foi negado. Desde novembro, a decisão sobre o júri popular era aguardada, e foi adiada após petições e manifestações do Ministério Público.
O G1 não conseguiu entrar em contato com Marco Antonio de Andrade Almada e Rosana Melo Koszegi, defensores do casal, até a publicação desta matéria.

O caso
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o corpo de Atyla foi achado em uma praia do Mongaguá, com sinais de afogamento, em julho de 2018. Ele foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) e, em paralelo, uma investigação foi aberta pela Polícia Civil.

Investigadores descobriram que a jovem veio de Goiás viver com o casal em busca de emprego. Para a polícia, ela foi propositalmente morta no mar em meio a um denso nevoeiro para que o casal sacasse um seguro de vida de R$ 260 mil. Eles simularam o afogamento para encobrir o homicídio.
Simone e Sergio foram presos e, em depoimento, a mulher disse ser madrinha de Atyla, que havia sido abandonada pelos pais, fato desmentido por Selmair Arruda de Moraes, de 44 anos, mãe da jovem. Ela chegou à cidade litorânea em busca da filha 20 dias após perder o contato com ela.
Selmair faria boletim de ocorrência por cárcere privado, mas foi surpreendida ao saber da morte da filha. Três pessoas, não identificadas, foram ao enterro da jovem, que teve na lápide a declaração 'te amo' escrita, fato que, segundo a polícia, seria para "despistar o crime".
Também foram descobertos perfis no Facebook indicando o envolvimento do casal em rituais de magia negra e satanismo, oferecendo pactos de adoração a Lúcifer, em troca de "poder" e "status". A polícia começou a acreditar que Atyla poderia estar ligada à seita, que teria oferecido o filho que estava esperando e, depois, desistido, tendo sido morta por isso.



Morte de jovem em Mongaguá (SP) pode ter ligação com ritual satânico — Foto: Montagem/G1 Santos

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